Saúde

Já pensou em se livrar do estresse e da ansiedade apenas trabalhando com as mãos? É possível.

Convidar alguém a “colocar a mão na massa” nem sempre significa um convite a trabalhos manuais.

A expressão, que nasceu da necessidade de se envolver com alguma atividade colocando suas próprias mãos para que se torne realidade, foi-se transformando ao longo do tempo e hoje é frequentemente utilizada apenas no sentido metafórico.

No entanto, apesar de muitas pessoas das novas gerações considerarem os trabalhos manuais algo rústico e sem muita utilidade no seu dia a dia, é por meio desse tipo de atividade que muitas pessoas têm superado problemas como estresse e ansiedade.

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Você sofre de estresse ou ansiedade?

Se a sua resposta é sim, provavelmente você já procurou inúmeros métodos para se livrar dos sintomas incômodos que essas patologias do mundo moderno nos provocam.

Entre remédios, terapias e esportes, talvez tenha até tentado se inscrever em um curso de pintura ou se arriscado no bordado, mas será mesmo que você levou a sério o “poder” das suas mãos?

“O poder das minhas mãos?”, sim, foi isso mesmo o que você acabou de ler.

O grande obstáculo encontrado pelas pessoas ansiosas que buscam nos trabalhos manuais a fonte para sua recuperação e alívio do estresse do dia a dia é a sua própria mente.

Isso porque, na maioria das vezes, estamos tão acostumados com as cobranças constantes da rotina, das pessoas (e até da gente mesmo), que não nos permitimos criar sem perfeccionismo.

Começamos um desenho, mas queremos que ele seja perfeito.

Molhamos os pincéis na tinta, mas não antes de esboçar um modelo na tela a lápis. Chafurdamos os dedos na argila, mas não antes de nos certificarmos de que vamos esculpir exatamente aquele “vaso parnasiano” impecável. Por isso…

Esqueça a perfeição!

A criatividade não trabalha onde há padrões a serem rigidamente seguidos. Sua mente estará trancada em um limbo de detalhes sordidamente criados por você mesmo para adiar sua liberdade criativa.

Autores como Alton e Carrie Barron (que escreveram, juntos, o livro “The Creativity Cure” – A criatividade cura) acreditam que a criatividade nasce da necessidade de expressão do ser humano e, por isso, seguir um modelo e tentar ser perfeito simplesmente não funciona.

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Os próprios livros de colorir que estiveram “em alta” há pouco tempo tiveram seu declínio depois de se tornarem um padrão seguido por todos – inclusive nas redes sociais.

Quem não tivesse a mandala colorida de maneira mais perfeita estava fora do hall dos artistas de fim de semana, lembra?

Mas a arte, ah…

A arte liberta!

Você já viu as crianças do Jardim de Infância criando seus desenhos?

Eles se lambuzam em tinta guache, lápis de cor, massinhas e gizes de cera e pouco estão preocupados com o grau artístico da sua obra – elas aproveitam o fazer artístico e não a arte em si.

Quando nos entregamos ao fazer manual com a mesma mente liberta de uma criança – sem modelos, sem expectativas, sem perfeição – alcançamos um estado de paz que muitas pessoas comparam ao estado meditativo.

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Basta nos desapegarmos dessa filosofia caótica de ‘resultados e metas’ criada pela geração tecnológica na qual vivemos que finalmente nos tornamos capazes de experienciar momentos de paz com a gente mesmo e o mundo lá fora nos dá uma trégua ‘aqui dentro’.

É só permitir que a imperfeição flua sobre suas mãos!

Tudo isso pode parecer muito simples de se dizer e bem mais complicado de se colocar em prática. Então, se você ainda não se convenceu de que o trabalho com as mãos pode ser parte fundamental do seu tratamento contra o estresse e a ansiedade, confira os benefícios defendidos em alguns livros sobre o assunto:

Leia:  12 maneiras cientificamente comprovadas de se reinventar

1. Você ganha mais autoconsciência.

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Pintar, esculpir, desenhar, bordar – entre outras atividades manuais – evoca sensações capazes de desbloqueá-lo da sua rotina massacrante. Livre do gesso e das imposições sociais, você começa a se questionar.

Quando você começa a se questionar, perguntas como “Como eu tenho lidado com meus erros?”, “Será que eu preciso mesmo estar no controle de tudo ou simplesmente posso me desapegar de certas coisas?”, “Como eu me sinto diante das situações do meu dia a dia?” passam a se tornar corriqueiras e, mesmo sem perceber, você começa a ter mais consciência de si mesmo e do seu lugar no mundo.

2. Você se torna mais resiliente.

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Resiliência é a capacidade de lidar com as diversas situações do dia a dia – sejam elas boas ou ruins.

Quando você se permite ser criativo sem cobrar perfeição em seus traços, sua mente passa a entender que a vida é imperfeita e que nem tudo (ou quase nada) sai como o planejado.

Então, quando o maior abacaxi do mundo aparece para ser descascado, você simplesmente resolve o problema – quando pode resolvê-lo – ou sorri e aceita – quando não pode resolver. E vida que segue.

3. Você se torna mais confiante nas suas decisões.

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E isso também é fruto da autoconsciência que você já tem ganhado ao praticar o “artesanato nosso de cada dia”.

A partir do momento em que você se acostuma a libertar a mente e permite-se questionar, as decisões se tornam mais assertivas, pois você sabe que tudo vai dar certo – mesmo que dê errado.

4. Você experiencia paz de espírito, tranquilidade e a sensação de bem-estar.

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E talvez seja esse o benefício imediato mais desejado. Como a ansiedade nos priva da sensação de calma (já que preciso resolver isso logo, agora, ontem), com o hábito de se trabalhar criativamente com as mãos você passa a acostumar sua mente aos estados de foco e começa a experimentar estágios meditativos.

Nem preciso dizer o quão naturalmente as sensações de bem-estar, tranquilidade e paz de espírito passam a fazer parte de você, né?

Fonte: tinybuddha.com.

Livre-se do seu estresse e ansiedade de uma vez por todas.

Bora colocar a mão na massa?

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Escolha um trabalho manual com o qual você se identifica e dedique pelo menos uma hora por semana a ele.

Observe sua reações iniciais e permita-se desapegar-se dos detalhes, dos modelos padrões e, principalmente, da perfeição.

Se a arte não é a sua praia, tente algo relacionado à marcenaria, costura, tricô, jardinagem, bordado, artesanato e até mesmo mecânica (que não deixam de ser arte também).

Depois volte aqui e conte pra gente como está sendo sua experiência. Tente dedicar-se cada dia mais ao seu novo lazer. A arte que me liberta, por exemplo, é escrever e por meio da escrita consigo experienciar todos os benefícios que vimos aqui.

Ouvi dizer que uma vez que você ficar viciado, não vai saber como lidou com o estresse e a ansiedade antes de abrir sua mente para a criatividade manual.

E um novo e libertador mundo se abrirá diante de você!