Saúde

Beber mais de três vezes por semana pode prejudicar sua saúde, diz estudo

Dois estudos recentes criticam o conselho de décadas atrás sobre o álcool.

Tudo indica que mesmo um hábito de beber de forma moderada pode aumentar o risco de morte prematura.

O último estudo, publicado na quarta-feira na revista Alcoholism: Clinical & Experimental Research, descobriu que beber apenas quatro ou mais vezes por semana pode aumentar o risco de morte prematura, mesmo que essa quantidade de bebida seja consistente com as diretrizes federais americanas.

Os pesquisadores definiram beber “leve” como uma bebida ou duas por ocasião.

O CDC e outras agências federais americanas recomendam beber moderadamente — não mais do que uma bebida por dia para mulheres ou duas por dia para homens — para pessoas que gostam de bebida alcoólica, claro.

Quem bebia quatro ou mais vezes por semana tinham um risco 20% mais alto de morrer durante o período de estudo do que aqueles que bebiam três ou menos vezes por semana.

“A conclusão parece ser que não devemos beber mais do que três vezes por semana”, diz a co-autora do estudo Dra. Sarah Hartz, professora assistente de psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade de Washington, em St. Louis.

“A frequência do consumo de bebida alcoólica é importante, da mesma forma que tomar um medicamento é importante. Se você toma um remédio uma vez por semana, o impacto é diferente do que se você toma um remédio todos os dias”, aponta.

O artigo da professora segue uma grande pesquisa sobre álcool publicada no The Lancet em agosto. Esse documento chegou a uma conclusão ainda mais drástica: seus autores escreveram que o nível mais seguro de consumo é nenhum, citando riscos maiores de problemas de saúde que vão desde acidentes de carro a câncer.

Por que a súbita mudança nas recomendações dos especialistas?

consumo de bebida alcoolica

Segundo Hartz, a mudança está em discussão faz um tempo. Há um acúmulo de evidências que estão começando a direcionar as pessoas para essa crença.

Cai por terra a recomendação do “copo de vinho tinto por dia”.

Para o estudo, Hartz e seus colegas utilizaram dados do National Health Interview Survey (NHIS), bem como registros médicos de pacientes da Veterans Health Administration (VHA).

A amostra do NHIS era representativa da população total dos EUA, enquanto o grupo VHA era mais velho e predominantemente masculino.

Juntos, os conjuntos de dados deram aos pesquisadores percepções observacionais sobre saúde, dieta, bebida e mortalidade de quase 435.000 pessoas com idades entre 18 e 85 anos. Sua saúde e sobrevivência foram, em média, rastreadas entre sete e 10 anos.

Leia:  Tom Bob faz intervenções artísticas pelas ruas de Nova York

Na amostra do NHIS, que incluiu mais de 340.000 adultos, cerca de 40% das pessoas disseram que não beberam ou beberam, mas pararam.

Cerca de 86% das pessoas que disseram beber atualmente relataram consumir apenas uma bebida ou duas por sessão, independentemente da frequência com que bebiam.

Os pesquisadores optaram por se concentrar nesse nível de consumo porque, ao contrário do consumo excessivo de álcool, normalmente é considerado seguro e potencialmente até mesmo benéfico — particularmente para a saúde do coração.

Mas, como sugerem os resultados do estudo, esse pode não ser o caso após um certo ponto.

No grupo NHIS, beber uma ou duas doses cerca de três vezes por semana foi associado ao menor risco global de mortalidade — mesmo em comparação com aqueles que bebiam menos que isso.

Mas além desse ponto, cada sessão adicional de bebida foi associada a um maior risco de morte, descobriram os pesquisadores. Tendências semelhantes foram observadas no grupo VHA.

Riscos individuais associados a beber variam.

Por exemplo, o estudo mostrou alguns benefícios para a saúde do coração associados ao consumo leve, mas um risco maior de câncer associado a virtualmente qualquer consumo de álcool — ambos consistentes com pesquisas anteriores sobre bebida.

Com base nessa análise de custo-benefício, um médico provavelmente teria recomendações diferentes para um paciente com histórico familiar de doença cardíaca versus câncer.

Ainda assim, quando se trata de fazer recomendações em nível de população, Hartz diz que os dados sugerem que até mesmo a bebida leve vem com riscos.

Isso não significa necessariamente que você tem que se abster de ser saudável, só que você pode querer reformular seu pensamento sobre o álcool, diz ela.

“Eu bebo recreativamente, e meu principal ponto é que não consigo pensar nisso como um comportamento saudável”, diz Hartz.

“Isso não é como fumar, onde você deve parar imediatamente. É ruim para você, mas fazemos muitas coisas que são ruins para nós. Apenas não se engane em pensar que este é um comportamento saudável”.

Fonte: time.com. Créditos de imagem: Pexels / Isabella Mendes / Tookapic

Conhece alguém que precisa ler isso? Compartilhe!