Humanidade

Você sempre será bom, mas nunca excelente: 5 sinais de que você é um “underachiever”

Nota: “underachiever” se refere àqueles que alcançam resultados abaixo do esperado, embora sejam inteligentes segundo testes e provas. A leitura completa do texto deixa clara a utilidade do termo para o autor.

Antes de continuar, quero deixar bem claro para quem este artigo destina-se:

Você sempre foi ambicioso, impulsionado, faminto e trabalhador? Se sim, pare de ler. Nada disso vai te atingir. Se você é uma pessoa razoavelmente inteligente, que às vezes luta com preguiça e motivação interna, este texto é para você.

Uma coisa que me espanta quando eu olho para trás, lá pro ensino médio, é a forma como algumas pessoas estavam prontas para o futuro, como eles já tinham tudo resolvido. Na minha classe de História Mundial, existiam alunos que já eram jovens profissionais, eles me cercavam. Estavam determinados, motivados e muitos deles tinham aspirações de carreira em longo prazo. Um dos meus colegas de classe até tinha uma pastinha(daquelas de executivos) – mas que era uma espécie de exagero.

Eu, por outro lado, babava só de pensar em dormir tarde e fantasiava a ideia de jogar poker profissionalmente. Com o aproximar do último ano do colégio, os estudantes talentosos discutiam sobre como as faculdades da Ivy League (8 melhores universidades dos EUA) tinham os aceito, eles me cercaram. Infelizmente, eu não pude participar destas conversas.

Eu fui razoavelmente bem na escola, apesar de não ter me esforçado em nada. No entanto, eu não estava nem perto de ser um estudante espetacular e o sentimento subjacente de que deixei de dar tudo de mim encheu-me de vergonha. Ao invés de reconhecer a vergonha e me esforçar para mudar, eu simplesmente racionalizei meu caminho para sair desse tipo de pensamento. Infelizmente, essa mentalidade me seguiu durante toda a faculdade.

Abaixo estão cinco princípios, que eu, assim como milhares de underachieving e estudantes universitários razoavelmente inteligentes já enfrentaram ou estão enfrentando. Em geral, estes princípios resumem a mentalidade, muitas vezes, cultivada para arranjar uma desculpa para a nossa falta de esforço, mantendo os nossos egos e autoestima. A mentalidade que precisamos parar de semear, se esperamos ter sucesso em algo na nossa vida.

1. Você nunca estuda, mas ainda assim consegue obter boas notas

Este é o início de um ciclo autodestrutivo. Quando as pessoas (como eu) conseguem boas notas, apesar de não tentar, eles são orgulhosos deste ato. Faz sentido, não faz? Se você está cercado por pessoas que se matam de estudar e você entra, não tendo estudado nada, e faz um bom teste, isso é um sentimento muito bom. Infelizmente, isso reforça a ideia de que você é invencível e sua inteligência sempre vai ajudá-lo a vencer. É claro que isso não é verdade.

2. Você faz apenas o suficiente para passar

Este é um sinal revelador de que você está em um caminho ruim, porque ele cataloga seu esforço num patamar muito baixo. Ao invés de se chegar a um objetivo mais difícil, o seu foco é apenas sobre ficar à tona, por ali. Quando eu estava na faculdade, eu fiz o montante mínimo absoluto de trabalho para sustentar uma média aceitável. Eu senti que eu estava violando o sistema, mas no final, eu desenvolvi um mau hábito de me contentar com a mediocridade e isso foi traduzido para todos os outros aspectos da minha vida.

3. Você aceita seus defeitos e os chama de seu “melhor”

Eu não percebi que eu poderia conseguir mais se eu tivesse me aplicado. Desperdicei a oportunidade de fazer exatamente isso e agora eu me sinto culpado. Na faculdade, e ainda mais agora, eu notei meus colegas avançando enquanto eu permanecia o mesmo.

No colégio, meus colegas de classe estavam recebendo bolsas de estudos para universidades de prestígio, enquanto eu meio que vagava por aí sem rumo. Eu sabia que a única razão pela qual eu não estava obtendo sucesso era porque eu não havia tentado, no entanto, eu tinha certeza de que se eu tivesse me aplicado, eu teria não só conseguido, mas eu teria sido a melhor versão de mim mesmo.

Esse tipo de pensamento o protege da dor do fracasso – o sentimento vergonhoso que você não tem capacidade de enfrentar dando o máximo de si. Pior ainda, você está ciente do que está lhe segurando ante ao sucesso, então há uma solução clara à sua frente. Por que não utilizar essa solução? Por que não tentar? Em vez de aceitar e aprender com seus defeitos, você fica seguro, estagnado e contente enquanto se convence de que você está fazendo muito bem do jeito que as coisas andam.

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4. Você zomba da ideia de “aprender uma lição”

Sempre me diziam que quando eu fosse para a faculdade, eu iria aprender uma dura lição. Talvez a maior “tragédia” da minha experiência na faculdade foi que eu nunca realmente aprendi. Durante o meu primeiro semestre da faculdade, eu adquiri um GPA 3.0(média geral que vai de 1 a 6 nas universidades americanas). Enquanto era uma nota na média, ainda era impressionante pra mim, porque eu nunca ia para as aulas e, ao invés, ficava jogando Super Smash Brothers como se não fosse da conta de ninguém o que eu fazia. Sem contar que eu alimentava meu cérebro com álcool, pelo menos, quatro vezes por semana.

A pior parte sobre a obtenção de um GPA 3.0 foi a de que isso só reafirmou o meu pensamento iludido. Enquanto todo mundo estava comendo os livros, eu era o lobo solitário patinando por entre os “inteligentes”. O que eu não sabia é que eu tinha me criado para o desastre – e isso só me atingiu de vez mesmo quando me formei na faculdade.

Entrei em um mercado de trabalho saturado sem nenhuma perspectiva ou plano de futuro, nenhuma aspiração e uma falta total e absoluta de direção. Pode acreditar que eu aprendi minha lição enquanto o “mundo real”, que eu nunca tinha levado a sério, de repente estava me batendo do outro lado da cara. Então, tudo o que eu podia fazer era sentar e pensar: “Porra, e agora?” O meu eu inteligente preguiçoso de repente estava pasmo.

5. Você se sente subvalorizado, como um “diamante bruto”

Talvez o sentimento mais gratificante de toda essa mentalidade underachiever é pensar que você é uma espécie de “gênio oculto.” Lembro-me que eu me identificava muito com o Matt Damon, de “Gênio Indomável”, que trabalhava como zelador apesar de, secretamente, ser brilhante. Não só eu estava longe de ser um gênio, mas eu não tinha absolutamente nenhuma experiência em varrer o chão.

“Todo homem se sente sub apreciado”

Esta é uma tradução solta de uma frase habitual e embora seja simples, é o início de um grande avanço. Por muito tempo, eu me prendi a noção de que debaixo da minha imaturidade e comportamento descuidado, eu possuía um potencial subvalorizado. Ninguém podia vê-lo, mas eu tinha certeza de que existia.

A constatação de que cada homem se sente subvalorizado estava mexendo comigo porque, de repente, eu percebi que eu estava compartilhando essas ideias com todos. Não havia nenhum grande segredo. Eu não estava abrigando nada de especial. Eu era apenas um cara comum.

Eu percebi que estava me traindo por uma vida plena e se eu realmente acreditava que havia grandeza dentro de mim, então o que diabos eu estava esperando? Eu mudei minha mentalidade, comecei a acreditar em mim mesmo e na força que possuía para mudar o meu caminho.

E com isso, tudo mudou

Eu comecei a me exercitar cinco vezes por semana e isso melhorou a minha nutrição. Eu tive o meu coração partido, viajei o mundo, me matriculei em um curso de teatro, descobri o meu amor pela escrita, comecei a me apresentar como um comediante stand-up e até fui escalado para uma peça. Eu comecei a fazer todas as coisas que eu tinha muito medo de fazer e esta atitude imatura, que sempre me manteve seguro, lentamente secou.

Eu não estou dizendo que eu sou um cara auto realizado que tem tudo planejado – Estou longe disso. No entanto, eu entendi que não tentar, em um aspecto da minha vida, afetou a totalidade da minha existência.

Você pode fazer a diferença em sua vida. Não espere – Comece agora. Não engane você, nem seu futuro. Você realmente é capaz de qualquer coisa que você põe na sua mente para fazer. Você apenas tem que ter a vontade para chegar lá.

Este artigo foi escrito por Seth Borkowski em EliteDaily.com. Tradução por Gui Mendes em Obviousmag.org.