Artista cria louças revestidas com as cinzas de entes queridos
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Artista cria louças revestidas com as cinzas de entes queridos

Há quem guarde os pertences de seus entes queridos para honrar sua memória, para se lembrar, por respeito, por amor.

Existem os mais variados motivos para ajudar a confortar a sensação de partida de uma pessoa especial.

No caso do artista Justin Crowe que vive em Santa Fé, no Novo México, ele vai além: incorpora cinzas de entes queridos em objetos do dia a dia desenvolvidos por ele, como louça e até vasos de cerâmica.

Ele contou ao jornal The Guardian que mistura as cinzas humanas no esmalte que usa para revestir tigelas, vasos, castiçais, copos de café, urnas e outros itens de cerâmica.

“Integrar as cinzas de alguém na cerâmica é uma maneira de infundir sua memória na vida cotidiana. Então você pode tomar café todas as manhãs com as memórias de sua avó, ou ter uma tigela na mesa para despertar histórias em jantares de família.”

Mas antes de ser um negócio, Justin relatou no site Bored Panda que sua jornada com o design de objetos revestidos de cinzas começou com a morte de seu avô que teve um profundo impacto sobre a sua perspectiva.

“Lar é um lugar familiar, normal e de rotina e o falecimento dele nesse ambiente me ajudou a ‘normalizar’ a morte dele e as ideias sobre a minha própria mortalidade. Eu quis criar uma peça de arte que permitisse que outras pessoas tivessem a mesma experiência – confrontar a mortalidade no cotidiano.”

E para realizar seu objetivo, Justin começou comprando 200 ossos de pessoas diferentes de negociantes de ossos que geralmente vendem para médicos, estudantes e colecionadores excêntricos.

Justin passou quatro meses projetando e produzindo um aparelho de jantar para 8 pessoas.

Depois de terminado, ele revestiu cada peça com a mistura de esmalte e cinzas e levou ao forno, “o resultado foi um esmalte azul pálido lustroso cobrindo copos funcionais, canecas, pratos e tigelas”, explica em seu relato.

Foi assim que surgiu a série de louça de jantar “Nourish” (“nutrir”, “alimentar”) de Justin.

E amigos foram convidados a jantar com as peças e a discutir sobre suas experiências, visão sobre a morte e perspectiva sobre a mortalidade.

Essa ocasião foi documentada em vídeo:

Se preferir, assista ao vídeo no YouTube.

Conforme Justin foi explicando o conceito da série de jantar, ele passou a receber pedidos de pessoas que queriam peças personalizadas com as cinzas de seus entes queridos, como uma “forma interativa” de preservar a memória e manter a pessoa amada mais perto.

“Com base nessa ideia, eu lancei Chronicle Cremation Designs em outubro de 2016 oferecendo objetos memoriais.”, relata o artista ao Bored Panda.

Então, o que começou como um projeto de arte inspirado em uma tragédia, “agora é um negócio mudando como nós pensamos sobre a morte e a memorização” .

Mas é claro que a dificuldade de aceitação é uma questão que ele tem que lidar. Em geral, as pessoas encaram como algo assustador, estranho, errado e absurdo:

“Eu tive pessoas que me ameaçaram e que me dizem que estão me investigando. Ou eles citaram a Bíblia e me disseram que eu vou para o inferno. Mas logo depois alguém me contata e me diz que é um projeto muito bonito”, diz Justin ao The Guardian.

Enquanto muitas pessoas não conseguem ver a mesma beleza que ele vê, o artista diz que seu trabalho oferece uma espécie de “imortalidade”.

Saiba mais sobre o trabalho de Justin em seu site oficial: creamtiondesigns.com.

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Fontes: boredpanda.com, theguardian.com.

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