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Entenda porque se sentir mal não é tão ruim assim

Nós temos tão pouca fé no fluxo e refluxo da vida, do amor, dos relacionamentos. Nós saltamos no fluxo da maré e resistimos ao terror de seu refluxo.” Anne Morrow Lindbergh

Desde muito cedo, a maioria de nós recebe a mensagem de que devemos ser felizes — dos bem-intencionados pais, professores e até mesmo de estranhos.

“Sorria!”, nos falam. “Por que a cara triste?”, nos perguntam. Não é surpresa que cresçamos com a ideia de que sentir algo menos do que o sol 24 horas por dia, 7 dias por semana, está de alguma forma errado.

Nós nos envergonhamos de admitir, mesmo para nós mesmos, que algumas vezes nos sentimos deprimidos. Parece que de alguma forma nós falhamos, ou que a vida está nos enganando.

Facebook e Instagram certamente promovem uma visão mais equilibrada: aparentemente todo mundo está em alta constante, o que tem se tornado a norma da nossa sociedade.

O problema é que a vida não é assim de verdade e quando nós esperamos que seja, só nos sentimos piores.

Existe quase um senso de pânico quando um período menos do que eufórico dura demais (e não estou falando de depressão clínica aqui, apenas uma variedade de agitação e aborrecimento).

Nós só não toleramos mais os sentimentos baixos, desejando uma solução contínua para o que o ego chama de “felicidade.”

Eu pessoalmente já acreditei no mito da felicidade contínua muitas vezes e ainda tenho que lembrar a mim mesma que é apenas isso, um mito.

De verdadeiras experiências como a doença ou o divórcio para dias em que a vida simplesmente parece desatualizada, minha primeira reação geralmente é tentar “consertar”.

Alguma coisa deve estar errado, certo? Eu não deveria me sentir desse jeito — eu deveria estar feliz!

Por que sentir mal não é tão ruim

Algo que tem me ajudado com isso é substituir “felicidade” por outra palavra, um termo amplo o suficiente para abranger uma variedade mais normal de emoções: bem-estar.

Você pode continuar a ter um senso de bem-estar mesmo no meio de períodos mais pra baixo. Bem-estar simplesmente reconhece que a vida é uma série de picos e vales, ambos na visão macro e em uma base diária.

É artificial (e impossível) insistir em uma maré constantemente em fluxo.

Então como nós cultivamos um senso de bem-estar? Começa com a conversa interior. Muito de nossas reações emocionais na vida vem da maneira que rotulamos a nossa experiência.

O ego pula para conclusões na menor das evidência e então aperta o botão do pânico: “Oh, não! Alerta de depressão! Não se sentir bem — isto é um problema!”

Em vez disso, tente: “Hmmm. Eu estou me sentindo um pouco para baixo ultimamente. Eu gostaria de saber o que é.”

E então apenas sente-se com seu sentimento e permita-o que siga o seu curso. O ego em pânico quer que você conserte o que você vê como um problema.

Não é confortável simplesmente experimentar o que é considerado um sentimento “ruim” e apressar-se para contê-lo ou fugir dele.

Existem muitas maneiras de fazer isso (eu já tentei todas elas): comprar, beber um copo ou dois de vinho, assistir TV, navegar na internet, entre outras coisas.

Nenhuma dessas atividades está “errada”, a menos que você use para evitar ou negar os seus verdadeiros sentimentos.

Por que sentir mal não é tão ruim

Nossas emoções, além de uma parte válida da nossa experiência humana, carregam importantes mensagens para nós —mensagens que nós não podemos receber quando estamos fugindo.

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Então digamos que você está permitindo a si mesmo de ter experiências de se sentir um pouco para baixo.

Mesmo que elas durem toda uma estação, você diz para si mesmo: “Tudo bem. Eu sei que vai passar também. Eu não posso me deixar ter esse sentimento e ainda ficar perfeitamente bem.”

Isso é bem-estar.

Com o bem-estar, você pode continuar a curtir tudo o que é bom na sua vida e tratar a si mesmo ternamente enquanto simplesmente deixa suas experiências se desenvolverem naturalmente.

E elas vão se desenvolver. A beleza de se permitir sentir seus sentimentos em vez de abarrotá-los é como eles podem entregar suas mensagens.

Talvez a mensagem seja: Você precisa diminuir um pouco o ritmo. Talvez seja: O trabalho que você está fazendo não é mais significativo. Ou talvez você nunca “entenda”.

O seu corpo ou espírito podem precisar apenas de um pouco de tempo de cura ou de integração.

Com o senso de bem-estar, você pode confiar que a vida está dando apenas o que você precisa, mesmo que não faça sentido ou não deixe o seu ego feliz.

Bem-estar é muito parecido com o conceito budista de serenidade, que significa não se perturbar. O budismo ensina que você não precisa se agarrar ao “bom” ou fugir do “mal”, mas aceitar cada um como vier.

A mente ocidental frequentemente confunde isso com passividade, mas não é a mesma coisa.

Com ambos, bem-estar e serenidade, a ação apropriada é tomada natural e calmamente. Como um bônus, a ação removida do drama do ego é muitas vezes mais efetiva!

Por que sentir mal não é tão ruim

E há outro benefício na aceitação das chamadas experiências “negativas” da vida: elas, na verdade, permitem que você experimente e aprecie muito mais os bons tempos.

Quando nós tentamos ir de um pico a outro, nós continuamos a elevar o risco: O que era uma vez satisfatório se torna chato; o que era um grande ganho deixa de impressionar.

Há um tipo de “inflação de felicidade” acontecendo que desvaloriza o que você tem e faz você buscar constantemente por mais.

É contraintuitivo, mas quanto mais você experimenta emoções como tristeza ou desapontamento, mais você valoriza a alegria e gratidão, quando esses sentimentos vêm.

O poeta Kahlil Gibran escreveu: “Quanto mais fundo a dor no seu ser, mais alegria você pode conter.”

Tempos difíceis também nos fortalecem, nos fazem mais fortes, mais resilientes e mais compassivos.

Por que sentir mal não é tão ruim

Geralmente nós só vemos isso em retrospectiva, mas nós podemos usar a conversa interior para nos lembrar disso nesses tempos difíceis: “Isso não é muito divertido, mas eu sei que eu vou aprender e crescer.”

Se sentir “mal”, está longe de ser algo para fugir, pois oferece muito para aqueles que buscam abraçar a experiência.

Você terá que sacudir as mensagens do ego e da sociedade, mas você ganhará muito mais riqueza em vida quando acolher essas fases da maré: o fluxo tanto quanto o refluxo.

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Esse artigo é uma tradução do Awebic, originalmente publicado em Tiny Buddha, escrito por Amaya Pryce.

Imagens: pixabay.com e pexels.com

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