Mente

O verdadeiro segredo por trás da boa sorte é uma mente aberta

Sorte pode parecer sinônimo de aleatoriedade. Chamar alguém de sortudo geralmente nega a relevância de seu trabalho ou talento.

Como Richard Wiseman, o Professor de Entendimento Público de Psicologia da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, diz, pessoas sortudas “parecem ter uma habilidade incomum de estar no lugar certo, na hora certa e aproveitar mais do que a sua parcela de sorte”.

O que essas pessoas têm que o resto de nós não? Acontece que “capacidade” é a palavra-chave aqui.

Além do nível de privilégio ou das circunstâncias em que nasceram, as pessoas mais sortudas podem ter um conjunto específico de habilidades que coloca oportunidades em seu caminho.

De alguma forma, elas aprenderam maneiras de colocar as chances da vida a favor delas.

Desmistificar este conjunto de habilidades da sorte tem sido um projeto pessoal de Christine Carter, socióloga e pesquisadora sênior do Greater Good Science Center, na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Há alguns anos, ela estava montando um curso on-line para famílias sobre como criar filhos mais felizes.

Ela traduz descobertas de pesquisa sobre qualidades como gratidão, plenitude e felicidade em habilidades quantificáveis e ensináveis.

Em meio ao seu trabalho, ela se deparou com um conceito engraçado que parecia estar envolvido em todas essas coisas – sorte.

“Do lado acadêmico, sempre fui um pouco cética em relação a qualquer conceito relacionado à sorte”, diz Carter. “Porque, como socióloga, é como, ah, todas aquelas crianças em Darfur simplesmente não têm sorte? Sabemos que há outras coisas lá.”

Então Carter se deparou com a pesquisa sobre sorte de Wiseman (um de seus livros é The Luck Factor, publicado em 2004).

Wiseman começou como um mágico e fez sua carreira pesquisando os nichos mais incomuns da psicologia (um estudo de 2002, publicado no The Journal of Parapsychology, intitula-se, “Uma investigação sobre a suposta assombração do Hampton Court Palace: Variáveis Psicológicas e Campos Magnéticos”).

Na década de 1990, ele havia assumido um projeto não convencional – realizar experimentos com pessoas autoproclamadas sortudas e azaradas, e tentar quantificar suas diferenças.

O segredo por trás da sorte

“Sua pesquisa é hilária”, diz Carter. “Ele pega pessoas que se autodefinem como sortudas e pessoas que não dizem que têm sorte, e então coloca uma nota de $20 na rua e as pessoas de sorte percebem e pegam. E pessoas sem sorte não.”

O desenho experimental pode parecer um pouco bobo, uma maneira superficial de distinguir os sortudos dos azarados.

No entanto, esse foi o tipo de resultado que Wiseman encontrou em vários experimentos relacionados ao longo de cerca de 10 anos, de 1993 a 2003.

Em um desses estudos, Wiseman forneceu a um grupo de voluntários um jornal e os instruiu a contar as fotos dentro dele. Escrito em fonte grande, na metade da segunda página havia esta mensagem: “Pare de contar – há 43 fotografias neste jornal.”

Uma inserção semelhante colocada na metade do jornal dizia: “Pare de contar, diga ao pesquisador que você viu isso e ganhe $250”. No geral, os participantes autodefinidos como sem sorte continuaram contando.

O estudo sugeriu que a sorte poderia ter algo a ver com a identificação de oportunidades, mesmo quando elas eram inesperadas.

Wiseman não parou por aí.

Ele transformou essas descobertas em uma “escola da sorte”, onde as pessoas podiam aprender técnicas de sorte induzidas baseadas em quatro princípios principais de sorte: maximizar oportunidades, ouvir sua intuição, esperar boa sorte e transformar a má sorte em boa.

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As estratégias incluíam o uso da meditação para melhorar a intuição, o relaxamento, a visualização da boa sorte e a conversa com pelo menos uma pessoa nova a cada semana. Um mês depois, ele acompanhou os participantes.

Oitenta por cento disseram que eram pessoas mais felizes e mais sortudas.

O segredo por trás da sorte

“Eu pensei que se Wiseman pode treinar pessoas para ter sorte, você certamente pode ensinar essas habilidades para nossos filhos, e elas também têm outros efeitos colaterais muito bons”, diz Carter, como melhores habilidades sociais e um forte sentimento de gratidão.

Ela apresentou algumas estratégias básicas para os pais ensinarem seus filhos, incluindo estar aberto a novas experiências, aprender a relaxar, manter conexões sociais e (sim) conversar com estranhos.

Todas essas técnicas tinham um tema em comum: ser mais aberto ao seu ambiente, tanto física quanto emocionalmente.

Faz sentindo. Quanto mais observador você estiver do seu entorno, maior a probabilidade de capturar um recurso valioso ou evitar uma tragédia.

Pessoas de sorte não atraem magicamente novas oportunidades e boa sorte. Eles caminham com os olhos bem abertos, totalmente presentes no momento (um problema para as pessoas coladas nas telas dos telefones).

Isso também significa que qualquer coisa que afete nossa capacidade física ou emocional de absorver nosso ambiente também afeta nossa assim chamada “sorte” – ansiedade, por exemplo.

A ansiedade física e emocionalmente nos fecha para oportunidades.

“Se você está ansioso por não encontrar um lugar para estacionar, então, literalmente, sua visão se estreita”, diz Carter. “Você perde sua visão periférica quanto mais ansioso você está, porque seu mecanismo de luta/fuga cria uma visão binocular.”

Pessoas ansiosas concentram sua atenção em ameaças potenciais e têm menos probabilidade de conversar com estranhos.

“Ensinamos nossos filhos a não falar com estranhos e os ensinamos a temer outras pessoas, e isso reduz as oportunidades que as pessoas podem trazer, mas também cria ansiedade”, diz Carter.

Os defensores do “perigo estranho” podem hesitar, mas a ideia é relativamente simples: reduzir o medo e a ansiedade das crianças para conhecer novas pessoas e, consequentemente, abri-las para as conexões vantajosas que as pessoas podem oferecer.

Carter descobriu que, simplesmente abrir as mentes dos pais dessa maneira para a ideia de que a sorte poderia ser aprendida, fez uma grande diferença.

A própria Carter admite que vem de uma longa linha de mulheres ansiosas, e aprender essas habilidades de sorte não foi fácil.

Mas uma vez que você aprende, ela diz, você pode começar a ver o bem em situações de azar, o que pode melhorar sua resposta ao infortúnio.

No Huffington Post, Carter escreveu: “Meus filhos e eu adoramos ler o livro Zen Shorts, de Jon Muth, que inclui uma antiga parábola sobre o filho de um fazendeiro que quebra a perna.

Quando seus vizinhos dizem: ‘que azar!’, o fazendeiro diz apenas: ‘talvez’. Acontece que a perna quebrada salva seu filho de ir para a guerra…”

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Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Nautilus escrito por Teresa Iafolla.

Imagens: pexels.com e pixabay.com

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