Mente

Entenda o que acontece com o nosso cérebro quando reclamamos demais

Neuroplasticidade: o bom e o mau

O cérebro humano é notavelmente maleável. Pode ser muito parecido com uma massa de modelar, embora com um pouco mais de tempo e esforço.

Nos últimos 20 anos, graças ao rápido desenvolvimento nas esferas da imagiologia cerebral e da neurociência, podemos dizer com certeza que o cérebro é capaz da reengenharia – e que somos os engenheiros.

De muitas maneiras, a neuroplasticidade – um termo genérico que descreve uma mudança duradoura no cérebro ao longo da vida de uma pessoa – é uma coisa maravilhosa.

Aqui estão algumas razões do porquê:

– Podemos aumentar nossa inteligência (“QI”)
– Podemos aprender novas habilidades que mudam a vida.
– Podemos nos recuperar de certos tipos de danos cerebrais.
– Podemos nos tornar mais emocionalmente inteligentes.
– Podemos “desaprender” comportamentos, crenças e hábitos prejudiciais.

Do outro lado da moeda, podemos redesenhar nosso cérebro para o pior!

Felizmente, graças à nossa capacidade de desaprender comportamentos prejudiciais, crenças e hábitos, podemos endireitar o navio novamente!

Crenças mudam o cérebro

Cérebro e reclamação

Donald Hebb, um dos primeiros pioneiros da neuroplasticidade e neuropsicologia, disse:

Neurônios que disparam juntos, se conectam.”

O Dr. Michael Merzenich, agora reconhecido como talvez o mais renomado neurocientista do mundo, baseou-se no trabalho de Hebb, provando a relação entre nossos pensamentos (“neurônios que disparam”) e mudanças estruturais no cérebro (“se conectam”).

Entre as numerosas descobertas do Dr. Merzenich, esta pode ser a mais importante:

Suas experiências, comportamentos, pensamentos, hábitos, padrões de pensamento e formas de reagir ao mundo são inseparáveis de como o cérebro se conecta.

Hábitos negativos mudam seu cérebro para pior. Hábitos positivos mudam seu cérebro para melhor.

Neuroplasticidade e doença

Considere esta citação de Alex Korb, Ph.D., e autor de The Upward Spiral: Using Neuroscience to Reverse the Course of Depression, One Small Change at a Time:

Na depressão, não há nada de fundamentalmente errado com o cérebro. É simplesmente que o ajuste particular dos circuitos neurais cria a tendência para um padrão de depressão.

Tem a ver com a maneira como o cérebro lida com o estresse, planejamento, hábitos, tomada de decisão e uma dúzia de outras coisas – a interação dinâmica de todos esses circuitos.

E uma vez que um padrão começa a se formar, ele causa dezenas de pequenas mudanças em todo o cérebro que criam uma espiral descendente”.

A neuroplasticidade pode ser tanto o problema quanto a solução.

A reclamação e as mudanças do cérebro

Cérebro e reclamação

Vamos ser mais específicos agora, discutindo os efeitos de comportamentos negativos – especificamente, a reclamação – e como esses comportamentos alteram a estrutura do cérebro.

Todos nós conhecemos aquela pessoa que é continuamente negativa. A pessoa que nunca parece estar satisfeita com alguma coisa ou com alguém.

Pessoas negativas quase sempre são reclamonas, sem falhar.

Pior, os reclamões não ficam satisfeitos em manter seus pensamentos e sentimentos para si mesmos; em vez disso, eles procurarão alguém para desabafar.

Indubitavelmente irritante para seus amigos e familiares, esses “reclamões” não devem ser castigados, mas entendidos.

Você vê, todos nós reclamamos de tempos em tempos. Na verdade, pesquisadores da Universidade Clemson demonstraram empiricamente que todos reclamam de vez em quando. Alguns apenas fazem muito mais frequentemente do que outros.

Os reclamões geralmente se enquadram em um dos três grupos:

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Reclamões que buscam atenção: pessoas que buscam atenção através de reclamações; sempre pensando em como eles estão pior do que todo mundo.

Ironicamente, as pessoas (racionais) tendem a ignorar completamente a pessoa em vez de desperdiçar energia mental com foco em sua negatividade.

Reclamões crônicos: essas pessoas vivem em um estado constante de queixa. Se elas não estão expressando sua atitude de “ai de mim”, provavelmente estão pensando nisso.

Os psicólogos denominam essa ruminação de comportamento compulsório, definida como “repassar repetidamente um pensamento ou um problema sem conclusão”.

A ruminação é, infelizmente, diretamente transmitida ao cérebro deprimido e ansioso.

Reclamões com baixo QE: ‘QE’ é a abreviação de quociente emocional e pessoas dentro deste grupo têm pouco QE. O QI é a inteligência, o QE é a compreensão emocional.

Essas pessoas não estão interessadas em sua perspectiva, pensamentos ou sentimentos. Você é uma caixa de ressonância – uma parede de tijolos. Como tal, elas vão reclamar e desabafar em todas as oportunidades.

Cérebro e reclamação

O cérebro é culpado?

A resposta é (na maioria das vezes): “Sim”.

Você vê, a maioria das pessoas negativas não querem se sentir assim. Quem diabos gostaria?

Comportamentos prejudiciais, como a queixa, se permitidos circularem continuamente dentro do cérebro, inevitavelmente irão alterar os processos de pensamento.

Pensamentos alterados levam a crenças alteradas, que levam a uma mudança de comportamento.

Nosso cérebro possui algo chamado viés de negatividade. Em termos simples, o viés da negatividade é a tendência do cérebro de se concentrar mais em circunstâncias negativas do que positivas.

O Dr. Rick Hanson, neurocientista e autor do livro O Cérebro de Buda, explica o viés da negatividade:

Os estímulos negativos produzem mais atividade neural do que os positivos igualmente intensos. Eles também são percebidos com mais facilidade e rapidez”.

Repetição é a mãe de todo aprendizado. Quando nos concentramos repetidamente no negativo reclamando, estamos disparando e reativando os neurônios responsáveis ​​pelo viés da negatividade.

Estamos criando nosso comportamento negativo através da repetição.

Considerações finais

Não é possível ser “feliz e despreocupado” o tempo todo – e não precisamos tentar ser assim. Devemos, no entanto, tomar medidas concretas para neutralizar o pensamento negativo.

Pesquisas mostram repetidamente que a meditação e a atenção plena são talvez as ferramentas mais poderosas para combater a negatividade.

A pesquisadora de psicologia positiva, Barbara Fredrickson, e seus colegas da Universidade da Carolina do Norte, mostraram que as pessoas que meditam diariamente exibem mais emoções positivas do que aquelas que não meditam.

Após um experimento de três meses, a equipe de Fredrickson observou que “as pessoas que meditavam diariamente continuavam a demonstrar maior atenção, propósito na vida, apoio social e diminuição dos sintomas da doença”.

Depois de aprender os fundamentos da meditação, que envolve o foco na respiração, crie um cronograma diário de meditação que funcione para você.

De 15 a 20 minutos de meditação diária podem fazer uma grande diferença em sua vida – e em seu cérebro!

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Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Power of Positivity.

Imagesn: pexels.com e pixabay.com

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