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9 práticas estoicas que o ajudarão a prosperar na loucura da modernidade

Quando Zeno, de Chipre, naufragou e ficou preso em Atenas, ele não esperava que nada de bom acontecesse.

Tendo perdido tudo e sem muito o que fazer, Zeno entrou em uma livraria e foi rapidamente absorvido pelos ensinamentos de Sócrates.

Depois de estudar com os grandes filósofos de sua época, ele decidiu transmitir sua sabedoria a qualquer um que desejasse ouvir. Assim nasceu a filosofia do estoicismo.

Os ensinamentos de Zeno se espalharam rapidamente e seriam adotados tanto pelos escravos quanto pelos reis. Como ele mais tarde brincaria: “Fiz uma viagem próspera quando sofri o naufrágio.”

Mas não é aí que a história do estoicismo termina. Séculos depois, a filosofia permanece tão relevante quanto – se não mais – na sociedade moderna.

Essas práticas estoicas ajudarão a acalmar o caos que enfrentamos hoje.

1. Desenvolva um Local Interno de Controle

 Práticas estoicas que o ajudarão a prosperar na loucura da modernidade

O homem não se perturba pelas coisas, mas pelas opiniões que forma delas .” — Epiteto

Muito do que acontece na vida não está sob nosso controle. Os estoicos reconheceram essa verdade inegável e se concentraram no que poderiam fazer.

Nascido como escravo, parece que Epiteto não tinha motivos para acreditar que pudesse controlar qualquer coisa. Ele foi permanentemente aleijado de uma perna pelo seu mestre.

Epiteto viveria e morreria na pobreza.

Mas isso não era o que Epiteto pensava. Ele dizia que, mesmo que sua propriedade e até mesmo seu corpo não estivessem sob seu controle, suas opiniões, desejos e aversões continuavam sendo dele.

Eram coisas que ele possuía.

É fácil ficar frustrado hoje. Estamos tão acostumados com o conforto que mesmo o menor inconveniente provoca indignação dentro de nós.

Se a internet demorar um segundo a mais do que deveria, ou se o tráfego parar por um minuto, o instinto natural é o aborrecimento, se não raiva.

Não é nenhum desses colapsos que nos deixa infelizes. A infelicidade deriva da reação emocional que escolhemos. O ônus é sobre nós mesmos para garantir que não deixemos que os eventos externos afetem nosso estado mental interno.

Uma vez que internalizamos isso, fica claro que temos o poder de sermos felizes, independentemente de nossas circunstâncias.

2. Guarde seu tempo

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Estamos economizando com a propriedade e com o dinheiro, mas pensamos muito pouco na perda de tempo, a única coisa sobre a qual todos nós devemos ser mais avarentos”. — Sêneca

Os estoicos entendiam que o tempo é nosso maior patrimônio. Ao contrário de qualquer uma das nossas posses materiais, uma vez perdido, o tempo nunca pode ser recuperado.

Devemos, portanto, nos esforçar para desperdiçar o mínimo possível dele.

Aqueles que desperdiçam este escasso recurso em minúcias ou entretenimento descobrirão que não terão nada no final. O hábito de procrastinar e adiar as coisas voltará para nos assombrar.

O amanhã não está garantido.

Por outro lado, aqueles que doam seu tempo livremente aos outros também descobrirão que não são melhores do que aqueles que o desperdiçam. A maioria de nós permite que pessoas e outras obrigações imponham nosso tempo com muita facilidade.

Nós assumimos compromissos sem pensar profundamente no que isso implica. Calendários e agendas foram feitos para nos ajudar. Nós não devemos nos tornar escravo deles.

Independentemente de qual extremidade do espectro nós estamos, o tempo é fundamental. Achamos que temos muito tempo, mas na verdade não temos.

3. Não terceirize sua felicidade

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Muitas vezes me perguntei como é que todo homem ama a si mesmo mais do que todo o resto dos homens, mas atribui menos valor às suas próprias opiniões sobre si mesmo do que às opiniões dos outros.” — Marco Aurélio

Muito do que fazemos vem da nossa necessidade primária de ser apreciado e aceito pelos outros. A desaprovação do nosso grupo social teve sérias repercussões no passado.

Teria provavelmente significado exílio e, eventualmente, morte em áreas selvagens.

Isso ainda é verdade até certo ponto hoje. Mas quanto tempo e esforço gastamos tentando obter a aprovação dos outros? O que isso está nos custando?

Gastamos o dinheiro que não temos, para comprar coisas sofisticadas de que não precisamos, para impressionar alguém com quem não nos importamos.

Nossa escolha de carreira ou estilo de vida está centrada em como os outros nos veem, em vez do que é melhor para nós. Somos mantidos reféns e pagamos o resgate de um rei todos os dias, sem garantia de que algum dia seremos livres.

Em contraste, o estadista romano, Cato, procurou levar uma vida independente da opinião dos outros. Ele usava as roupas mais estranhas e andava pelas ruas sem calçar os sapatos.

Era sua maneira de se acostumar a se envergonhar apenas com o que merecia vergonha e desprezar todos os outros tipos de desgraça.

Essa era a única maneira em que ele poderia resistir a Júlio César, a quem ele reconhecia estar consolidando muito poder. Isso permitiu que ele tomasse as grandes decisões quando necessárias, sem medo de desaprovação.

Temos muito a aprender com ele.

É muito melhor para nós vivermos a vida em nossos próprios termos e ignorar as opiniões dos outros. A felicidade nunca deve ser terceirizada.

4. Mantenha-se concentrado quando confrontado com distrações

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Se uma pessoa não sabe a que porto navega, não há vento favorável.” — Sêneca

O capitalismo moderno nos deu uma abundância de opções.

Seja comida, viagem ou entretenimento, temos muito mais para escolher do que os nossos antecessores. No entanto, isso não nos beneficiou claramente.

Quando nos deparamos com tantas opções, ficamos paralisados pela indecisão.

Isso é conhecido como o paradoxo da escolha. Nossos cérebros não foram capazes de acompanhar os avanços modernos e estão sobrecarregados quando se apresentam tantas informações.

Pelo fato de ser tão difícil fazer uma escolha, a escolha padrão é manter o status quo.

É um dos principais problemas que enfrentamos em nosso cotidiano. Com tantas opções, nunca realmente nos comprometemos com um caminho. Ou adiamos a tomada de uma decisão ou realizamos várias atividades de uma só vez.

O resultado é que nunca avançamos em nada.

Os estoicos enfatizavam a necessidade de ação intencional. Devemos ter cuidado para não estar meramente reagindo às nossas circunstâncias, mas viver intencionalmente.

5. Jogue fora o ego e a vaidade

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Jogue fora suas opiniões convencidas, pois é impossível para uma pessoa começar a aprender o que ela acha que já sabe.” — Epiteto

Uma das maiores frustrações de Epiteto como professor era como seus alunos afirmavam querer ser ensinados, mas secretamente acreditavam que sabiam tudo.

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É uma dor que todos os professores sabem e a maioria de nós reconheceria. No coração disso está o ego e a arrogância. O pensamento de que já aprendemos o suficiente e somos melhores que os nossos contemporâneos.

Hoje esse pensamento é mais perigoso do que nunca.

As informações de hoje não são apenas insuficientes para resolver os problemas de amanhã, mas podem muito bem ser o obstáculo para um pensamento mais apurado também.

Vivemos em uma época em que estamos a apenas um passo de sermos interrompidos em praticamente todos os setores. Mesmo nos tempos antigos, Marco Aurélio observou: “o universo é mudança, a vida é uma opinião”.

É por isso que as mentes mais brilhantes de hoje passam boa parte do tempo lendo. Eles entendem que sempre há sabedoria a ser colhida, seja do passado, presente ou futuro.

Nós seríamos sábios ao fazer o mesmo. Sempre seja um estudante.

6. Consolide seus pensamentos por escrito

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Nenhum homem jamais foi sábio por acaso” – Sêneca

Das muitas coisas que podemos fazer diariamente, nenhuma é tão importante quanto olhar para dentro. O ato de autorreflexão nos força a nos questionar e examinar nossas próprias suposições do mundo.

Foi assim que as respostas para algumas das maiores questões do mundo surgiram.

Manter um diário continua sendo uma das formas mais eficazes de plenitude. Impulsiona a criatividade, aumenta a gratidão e serve como terapia, tudo de uma vez. Os benefícios são vários.

Seus pensamentos e sentimentos tornam-se mais claros por escrito do que em sua mente.

Os estoicos estavam bem conscientes disso. O homem mais poderoso do Império Romano, Marco Aurélio, se dedicava a registrar suas observações e sentimentos, em tempos de guerra ou paz.

É o que conhecemos hoje como Meditações.

Enquanto todos, de atletas a empreendedores, se beneficiam da sabedoria de Marco Aurélio hoje, é claro que o maior beneficiário de sua escrita e pensamento foi ele mesmo.

A clareza de pensamento e responsabilidade trazida por seu diário o manteve virtuoso, quando alguém em sua posição provavelmente teria errado e se tornado um tirano.

Aproveite o tempo para registrar em um diário. Não é difícil e as recompensas são imensas.

7. Mantenha-se firme

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Ao não fazer nada, os homens aprendem a fazer o mal.” — Cato

Em uma profissão que muitas vezes é baseada em compromisso, Cato era teimoso e firme em suas crenças. Ele foi ensinado que não havia tons de cinza.

Todas as virtudes eram uma e a mesma virtude, todos os vícios, o mesmo vício.

Parece um padrão excessivamente alto.

É inegável que muitos feitos só foram possíveis graças a compromissos. No entanto, parece que o pêndulo balançou longe demais hoje: renunciamos a nossos princípios em nome da tolerância ou do lucro.

Cato enfureceu seus aliados políticos e inimigos por sua absoluta recusa em se comprometer. Ele exigiu que seus amigos e familiares adotassem a mesma postura, sem deixar espaço para qualquer flexibilidade.

Mas a adesão a esse padrão impossível também lhe deu autoridade inabalável. Por padrão, ele se tornou o árbitro moral de Roma do certo e do errado.

Não podemos ser como ele, mas há uma lição a ser aprendida. Se você não se manter firme por nada, vai se atrair por tudo.

8. Imagine o pior que poderia acontecer

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Nada acontece ao sábio contra a sua expectativa” – Sêneca

Muito já foi dito sobre o poder do pensamento positivo nos últimos tempos. Somos ensinados que o otimismo e as afirmações são a chave para levar uma vida mais feliz.

Mas não é isso que os estoicos acreditavam.

Eles achavam que essa prática convidava a passividade para o nosso cotidiano. Ela nos encoraja a simplesmente esperar que as coisas melhorem em vez de tomar medidas concretas.

Ao invés de negar as duras realidades da vida, eles decidiram abraçá-las.

Eles realizavam regularmente um exercício conhecido como premeditatio malorum, que se traduz em uma premeditação dos males. O objetivo era imaginar os piores eventos que poderiam acontecer com eles.

Para alguns, era uma perda de reputação. Para outros, era a ruína financeira e a pobreza. Mas comum a todos era a eventualidade da morte.

Como seriam as coisas se tudo desse errado amanhã?

Como eu lidaria com essa situação?

Isso deveria mudar a maneira como eu vivo hoje?

Estas eram algumas das perguntas que eles se faziam. O exercício nunca deixou de render recompensas valiosas. Os estoicos tomaram medidas de precaução para garantir que o resultado indesejável não ocorresse.

Mesmo quando falhavam, viviam melhor, pois haviam contemplado como resistiriam à adversidade que enfrentavam.

Devemos ser brutalmente honestos com nós mesmos e nunca ter medo de confrontar a realidade. Essa é a melhor maneira de nos prepararmos para o sucesso e estarmos prontos para o fracasso.

9. Lembre-se que nada dura

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Alexandre, o Grande, e seu motorista de mula morreram e a mesma coisa aconteceu com os dois.” — Marco Aurélio

No grande esquema das coisas, nada que conquistamos é importante.

É um pensamento sóbrio. Todos nós experimentamos o mundo como se estivéssemos no centro da realidade. Isso cria uma ilusão onde nossa importância é inflada.

Nós nos vemos como protagonistas de nossa própria história. Mas a verdade é que essa percepção existe apenas em nossas mentes.

Todos à nossa volta andam por aí com uma mentalidade semelhante, mas cada um de nós é insignificante a longo prazo. Mesmo as mentes mais brilhantes, como Edison e Newton, acabariam sendo relegadas a uma nota de rodapé.

Não há necessidade de nos conformarmos às expectativas irracionais e pressões externas. Tampouco precisamos perseguir realizações na esperança de construir um legado. Nenhuma dessas coisas duram.

Tudo o que importa é vivermos a vida em nossos próprios termos. É a única maneira de realmente dizermos que vivemos uma boa vida.

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Medium escrito por Louis Chew.

Imagens: pexels.com e pixabay.com

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