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Como usar seu inconsciente para alcançar todas suas metas

A maneira mais efetiva de mudar o seu comportamento para melhor é trabalhar em paralelo com sua mente inconsciente.

Estamos no começo de março. Quantos de nós fizemos resoluções de ano novo este ano, mas já as quebramos?

Talvez falamos para nós mesmos que íamos fazer mais exercícios, ou passar mais tempo com as crianças, ou não sentir tanta raiva o tempo todo. Mas nós não estamos mais perto destas metas quanto estávamos antes.

Acontece que parte do problema é a maneira com que fazemos estas resoluções: elas contam com os nossos processos de decisões conscientes.

Nós apenas estabelecemos boas intenções para fazer algo diferente, e deixamos assim. Mas a experiência nos diz que boas intenções não são o suficiente.

Em meu novo livro, “Before You Know It”, eu apresento todas as maneiras que nosso barco pessoal de boas intenções pode sair de rumo pelas poderosas motivações inconscientes e estímulos ambientais, que também influenciam o que fazemos.

Uma vez que não estamos cientes destas influências inconscientes, nós não fazemos nada para contra-atacá-las. Elas são como as correntes e os ventos que afetam o curso de um barco, assim como o leme do capitão.

Ignore-as e você pode ir mar adentro – ou bater nas pedras.

Como usar o inconsciente para atingir metas

A primeira coisa que deve perguntar a si mesmo quando uma resolução não está dando certo é: “Eu quero mesmo mudar?”

Se for honesto consigo mesmo, talvez lá no fundo você realmente queira continuar bebendo, ou comendo demais, ou não fazer exercícios. Todos estes “queros” vão superar as boas intenções de suas resoluções.

Houve um famoso experimento feito em Princeton, há muitos anos, com estudantes de teologia – indivíduos altamente morais e compassivos.

Eles deveriam dar um sermão na próxima aula, mas os pesquisadores intencionalmente os atrasaram; eles tiveram que se apressar para chegar a tempo. Ao longo do caminho, uma pessoa estava com dificuldades no corredor, mas os estudantes atrasados correram e não ajudaram.

A meta de chegar a tempo para a aula superou seus próprios valores pessoais, fazendo com que eles falhassem em agir segundo aqueles valores e ajudar a pessoa necessitada.

Ironicamente, o tópico do sermão que eles dariam era O Bom Samaritano, uma parábola da Bíblia.

A mesma coisa pode acontecer com você e comigo. Apesar de nossos valores e intenções, nós podemos ter outras metas que entram em conflito com nossa nova resolução.

Como usar o inconsciente para atingir metas

E se nossa resolução é algo que, lá no fundo, nós não queremos realmente mudar, nossa mente consciente é muito adepta a criar desculpas convenientes e racionalizações.

“Ah, eu vou começar a nova dieta amanhã.” Mas o amanhã nunca chega.

Então, pergunte a si mesmo se você está verdadeiramente comprometido a mudar. Somente se a resposta for “sim”, você pode superar aqueles fortes ventos e correntes que podem desviá-lo do seu caminho.

Outra influência surpreendentemente poderosa sobre o que fazemos vem dos estímulos do ambiente, que desencadeiam comportamentos inconscientes sem percebermos.

O comportamento de outros, por exemplo, é bem contagiante, e nós podemos “pegá-los” através do nosso contato diário com outras pessoas e até através das mídias sociais.

Se o Facebook nos conecta com indivíduos com sobrepeso, depressivos, solitários, cooperativos ou felizes, mesmo se não soubermos ou não interagirmos com eles pessoalmente, nós temos uma inclinação de ser como eles também.

A TV e outras propagandas nos afetam da mesma maneira: nós tendemos a comer mais quando vemos propagandas de comida, adolescentes tendem a consumir mais bebidas alcoólicas quanto mais propagandas sobre álcool eles veem.

Ao reconhecer estas influências inconscientes, nós conseguimos aumentar o nosso livre arbítrio. Se nós negamos que estes efeitos existem, então ficamos à mercê deles e temos menos controle que pensamos ter.

Mas o melhor é que, uma vez que sabemos como eles funcionam, podemos usar estas forças inconscientes a nosso favor.

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Décadas de pesquisa em laboratório, bem como demonstrações práticas na vida real revelaram o poder das “intenções de implementação” conscientes. Como elas funcionam?

Elas comumente são como “quando X acontecer, eu farei Y”. Você cria um plano claro e concreto, que inclui onde, quando e como você realizará a intenção.

Você conecta seu desejo de comportamento futuro com um evento ou situação altamente provável. Aí, quando aquele evento futuro acontecer, frequentemente você irá se ver fazendo exatamente aquilo que queria, mesmo se tiver esquecido o que queria fazer.

Eu mesmo usei esta técnica para bloquear os efeitos de um dia ruim no trabalho.

Primeiro, eu estabeleci uma intenção – deixar pra lá o estresse negativo do trabalho quando chegar em casa e mostrar para minha família que estou feliz de estar com eles. Então, eu inventei um plano de implementação.

A relacionei com um evento futuro: no momento em que eu sair do carro, após chegar do trabalho e estiver em pé na minha garagem (este é o “quando” e “onde”), eu me lembro de respirar fundo, esquecer tudo sobre o trabalho e fico feliz de estar em casa com minha família (este é o “como”).

Após fazer isso por mais ou menos uma semana, começou a se tornar um hábito que eu carrego até hoje.

Como usar o inconsciente para atingir metas

Ou, e se você quer começar a fazer exercícios, mas sempre esquece? Uma ideia é criar uma intenção de implementação.

Quando você for para o seu quarto (este é o “onde”) para trocar a roupa do trabalho, você imediatamente veste sua roupa e tênis de exercícios (este é o “como”).

Se fizer isso, irá se sentir bem bobo se não sair para correr, certo?

Intenções de implementação tem tido ótimo sucesso prático, como ajudar residentes de lar de idosos a tomar seus remédios, os quais suas vidas dependem, sem falhar por um longo período de tempo.

E elas tem ajudado pessoas a manter suas metas, mesmo quando enfrentam interrupções ou influências negativas de outras pessoas.

O outro lado da moeda funciona da mesma forma para comportamentos indesejáveis.

A última pesquisa sobre autocontrole mostrou que pessoas que tem mais autocontrole – aqueles que de fato tendem a ser mais felizes e saudáveis, ganham mais dinheiro, têm mais amigos e são mais bem-sucedidos na vida que o resto de nós – não são aqueles com maior força de vontade.

São aqueles que estabelecem o seu mundo pessoal para remover os sinais de comportamentos indesejáveis, prevenindo a tentação daquilo sequer acontecer.

Portanto, apenas não compre aquela garrafa de vinho ou aquela sobremesa deliciosa. Elas não estarão na sua casa à tarde para tentá-lo.

Este truque também pode funcionar em nível social.

O pesquisador sobre autocontrole, Wendy Wood, apontou que a ótima redução no hábito de fumar que alcançamos nos últimos 30 anos não foi resultado de pessoas usando a força de vontade.

Mas sim através da proibição, impostos, eliminação de propagandas de cigarro e tabaco de TV e revistas e proibir a exibição de cigarros em lojas.

Livrar-se dos estímulos ambientais para fumar ajudou aqueles que queriam parar, muito mais do que outros fatores.

Esta nova evidência científica deveria nos dar esperanças. Se queremos aumentar bons hábitos, podemos ligá-los a um lugar e momento comum e nos dar lembretes para que nossa mente inconsciente priorize o apoio a estes hábitos.

Se queremos nos livrar de certos hábitos, podemos remover estímulos e oportunidades do nosso ambiente e substituir nossos impulsos inconscientes com mensagens positivas e conscientes.

Desta maneira, podemos usar o poder da nossa mente inconsciente para o bem…e ter uma chance bem maior de manter aquelas resoluções de ano novo.

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Greater Good Magazine, escrito por John Bargh.

Imagens: pexels.com e pixabay.com

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