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Três maneiras surpreendentes de como a gratidão funciona no trabalho

Há alguns verões, eu viajei para o fervilhante caldeirão do centro da Flórida para falar na conferência da WorkHuman.

Cerca de 1.500 profissionais de recursos humanos compareceram, ansiosos para ouvir astros como Arianna Huffington e Rob Lowe (provavelmente mais do que eles queriam ouvir um acadêmico como eu recitar suas descobertas de pesquisa).

Abatidos por locais de trabalho desanimadores, esgotadores e desmoralizantes, eles estavam sedentos por maneiras de criar ambientes mais energizantes e elevados.

WorkHuman é uma criação da Globoforce, uma empresa progressista que ajuda outras empresas a desenvolver e implementar programas eficazes, que reconhecem e celebram o trabalho de seus funcionários.

Em resumo, eles pretendem trazer mais gratidão às organizações, tornando os locais de trabalho mais humanos.

A Globoforce está no negócio global do agradecimento, usando o poder da gratidão para melhorar proativamente a cultura de uma empresa.

Baseando-se na ciência da gratidão e em seu próprio conjunto de práticas conduzidas internamente, eles demonstraram que dar e receber apreciação é benéfico e vital para uma organização de alto desempenho.

Em colaboração com o IBM Smarter Workforce Institute e a Society for Human Resource Management, a Globoforce vem realizando pesquisas em quase 50 países ao redor do mundo.

Seus estudos, juntamente com outras pesquisas, associaram gratidão e características relacionadas (como engajamento) a melhorias em produtividade, lucratividade, qualidade, lealdade, segurança, afastamento e outras métricas de custo e desempenho.

A Globoforce seria a primeira a admitir que reconhecer e celebrar as contribuições que os outros fazem ao nosso trabalho não é uma ideia nova. Mas a ciência da gratidão tem destacado novas razões para levar essa ideia a sério.

Embora algumas dessas razões – relacionamentos mais fortes, mais felicidade – tenham sido documentadas há muito tempo por estudos que eu e muitos outros realizamos, a pesquisa também aponta para outras formas de gratidão no trabalho.

Aqui estão três maneiras surpreendentes onde a gratidão vale a pena.

1. A gratidão facilita um sono melhor

Gratidão no trabalho

A quantidade e a qualidade perdidas do sono também estão relacionadas à falta de satisfação no trabalho, pior desempenho na execução, menos pensamento inovador, menor desempenho ocupacional, mais erros de segurança, acidentes de trabalho e até morte.

A privação do sono também afeta negativamente os relacionamentos, pois as pessoas privadas de sono confiam menos nos outros e são mais impacientes, frustradas e hostis.

O sono é a atividade restauradora quintessencial da mente e do corpo.

A Fundação Nacional do Sono informa que 95% das pessoas precisam de sete a oito horas de sono por noite e, ainda assim, 30% dos americanos têm menos de seis horas.

Evitar a privação do sono pode ser uma enorme economia de custos para as empresas.

No ano passado, o estudo da Rand Corporation relatou que a privação de sono custou às empresas americanas mais de US$ 400 bilhões por ano em perda de produtividade, mais de 2% do produto interno bruto (PIB) do país.

Perdas semelhantes foram encontradas em todo o mundo, com o Japão, a Alemanha e o Reino Unido, também perdendo de 1,5 a 3% de seu PIB devido ao fato de dormirem muito pouco.

O estudo de Rand estimou que, se as pessoas que dormem menos de seis horas por noite começassem a dormir entre seis e sete horas, isso poderia adicionar mais de US$ 200 bilhões à economia dos EUA.

Diversos estudos demonstraram que a gratidão promove comportamentos fisiologicamente restauradores, principalmente o sono melhor.

O pensamento agradecido e o humor nos ajudam a dormir melhor e por mais tempo.

Em um estudo, as pessoas que mantinham um diário de gratidão dormiam em média 30 minutos a mais por noite, acordavam se sentindo mais descansadas e tinham mais facilidade em ficar acordadas durante o dia em comparação com aquelas que não praticavam gratidão.

Como a gratidão facilita o sono melhor? Pesquisas sugerem que pessoas agradecidas têm mais “cognições pré-sono” e menos cognições pré-sono negativas.

Pensamentos negativos e críticos (por exemplo, sobre coisas ruins acontecendo no mundo) tendem a induzir insônia.

Mas as mentes das pessoas agradecidas estão inundadas de pensamentos agradáveis (por exemplo, sobre coisas agradáveis que aconteceram com elas durante o dia), e isso promove o sono.

A conexão é clara: pessoas agradecidas desfrutam de um sono mais relaxado, restaurador e revigorante e aproveitam os benefícios no trabalho no dia seguinte.

2. A gratidão reduz a reivindicação excessiva

Gratidão no trabalho

No trabalho, as pessoas com excesso de reivindicações tendem a se engajar em comportamentos de trabalho mais contraproducentes, ações planejadas para prejudicar uma organização ou seus membros.

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Estes comportamentos incluem roubo, agressão, violência, sabotagem, afastamento, mau desempenho deliberado e ameaçar, abusar e culpar os outros.

A reivindicação pode aparecer em culturas tóxicas no local de trabalho, ao lado de fofoca, reclamações e negatividade.

A reivindicação refere-se a “atitudes sobre o que uma pessoa sente que tem direito e o que uma pessoa sente que pode esperar dos outros”.

Mas algumas pessoas sofrem de uma condição conhecida como “reivindicação excessiva”.

Elas acham que merecem mais do que os outros, uma quantidade desproporcionalmente maior de um bem em particular, além do que seria considerado apropriado. Elas estão insatisfeitas com o que recebem, seja pagamento, promoções ou elogios.

Como a gratidão é relevante aqui? Uma pessoa que se sente com direito a tudo será grata por nada; gratidão é o antídoto para a reivindicação excessiva e para outros aspectos da cultura tóxica no local de trabalho.

Indivíduos agradecidos vivem de uma maneira que leva ao tipo de ambiente de trabalho que os seres humanos anseiam.

A gratidão produz níveis mais altos de emoções positivas que são benéficas no local de trabalho, como alegria, entusiasmo e otimismo, e níveis mais baixos dos impulsos destrutivos de inveja, ressentimento, ganância e amargura.

Além disso, pesquisas recentes de psicologia social mostraram que a gratidão está ligada a níveis mais baixos de hostilidade e agressão.

Quando as pessoas estão sentindo gratidão, elas têm aproximadamente 20 a 30% menos chances de ficarem irritadas e agressivas. Elas são menos suscetíveis a se ofenderem e, quando se ofendem, elas são menos propensas a revidar.

Anos atrás, uma pessoa muito sábia disse que a gratidão é uma vacina, uma antitoxina e um antisséptico.

3. A gratidão nos leva a contribuir mais para a nossa organização

Gratidão no trabalho

Uma pesquisa demonstrou a gratidão como um condutor do comportamento “pró-social” (gentil e prestativo).

Uma revisão recente de mais de 50 estudos descobriu que a gratidão está ainda mais fortemente ligada a comportamentos pró-sociais do que a felicidade ou a empatia.

Não surpreende, portanto, que pessoas agradecidas sejam melhores cidadãos organizacionais.

Eles são mais propensos a se voluntariar para tarefas extras de trabalho, ter tempo para orientar colegas de trabalho, ser compassivos quando alguém tem problemas e encorajar e elogiar os outros.

Pessoas gratas praticam comportamentos que se enquadram na categoria de ser um bom cidadão.

No local de trabalho, a gratidão inspira os funcionários a serem prestativos e os impedem de se envolverem em comportamentos prejudiciais.

Além da esfera social do trabalho, a gratidão também impulsiona o desempenho aprimorado no domínio cognitivo: pessoas gratas são mais propensas a serem criativas no trabalho.

A gratidão promove pensamento inovador, flexibilidade, abertura, curiosidade e amor pela aprendizagem. As pessoas agradecidas têm interesse em aprender novas informações e habilidades e buscam oportunidades para aprender e se desenvolver.

(Na verdade, um estudo altamente divulgado de 2015 descobriu que, de 24 pontos fortes de caráter, o amor à aprendizagem e a gratidão foram os mais fortes indicadores do bem-estar geral.)

Willibald Ruch e seus colegas da Universidade de Zurique recentemente propuseram um novo modelo organizacional, onde os membros da equipe se enquadram em um dos sete papéis: criador de ideias, coletor de informações, decisor, implementador, influenciador, energizador ou gerente de relacionamento.

Eles descobriram que pessoas agradecidas provavelmente seriam “criadoras de ideias”: bem-sucedidas no desenvolvimento de ideias novas e inovadoras e na obtenção de soluções de maneiras não convencionais.

Essas descobertas iniciais são promissoras, mas a pesquisa sistemática sobre gratidão no local de trabalho só começou recentemente.

Muito trabalho permanece: Ryan Fehr, professor de administração da Universidade de Washington, propôs recentemente 17 hipóteses testáveis para levar adiante a pesquisa sobre gratidão no local de trabalho.

Mas você literalmente não pode exagerar na gratidão; a mente grata colhe enormes benefícios em todos os domínios da vida que foram examinados até agora.

Você é grata(o) em seu ambiente de trabalho? Isto lhe traz resultados? Comente!

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Mindful escrito por Roberto Emmons.

Imagens: pexels.com e pixabay.com

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