Humanidade

Às vezes somos nós que precisamos mudar

“Estabelecer um exemplo não é o principal meio de influenciar os outros, é o único meio.” — Albert Einstein

Quando eu era mais jovem, eu tinha muitas opiniões sobre o que outras pessoas precisavam mudar.

“Por que as pessoas não podem economizar mais?”

“Por que as pessoas não conseguem parar de jogar pontas de cigarro no chão?”

“Por que não pode parar de ser tão irritante?”

Etc etc etc.

nos precisamos mudar

Crédito: Pexels.com.

Eu percebi recentemente que, enquanto eu me concentrava em todas as coisas que os outros precisavam fazer, eu estava evitando dar uma olhada nas minhas próprias falhas e erros.

Eu usava copo plástico para tomar café.

Eu tinha um carro e e utilizava ele muitas vezes, inclusive quando eu podia ir a pé, de bicicleta ou pegar o transporte público.

Eu nunca fiz compras em brechós e nem fiz um esforço para reutilizar as coisas que já tenho.

E eu também, hum, era muito crítica com os outros.

Em suma, eu tinha muitos problemas.

Há uma citação de Jacob M. Braude que diz: “Pense em como é difícil mudar a si mesmo. Então, talvez você entenda por que é impossível mudar outras pessoas”.

Não só era impossível forçar outra pessoa a mudar, como também estava evitando o impacto que poderia ter causado ao me mudar.

Isso é verdade em muitas áreas da vida.

Considere a pessoa que sempre namora pessoas “horríveis” ou “loucas”.

Nós sempre culpamos a outra pessoa e pensamos: “Por que eu tenho tanta má sorte com homens/mulheres?”

É raro que uma pessoa olhe para si mesma e considere que talvez haja algo sobre ela que esteja atraindo esse tipo de pessoa — talvez, na verdade, nós mesmos, inconscientemente, decidimos nos envolver com pessoas mal-educadas para podermos apontar o dedo para elas em vez de confrontar nossos próprios problemas de intimidade e nos perguntar por que estamos evitando relacionamentos reais (ou amizades).

Muitas pessoas também se queixam de como a “sociedade” precisa mudar.

No entanto, todos nós que fazemos a reclamação inventamos a sociedade.

Se queremos mudar, somos nós que precisamos mudar, cada um de nós.

Isso não é necessariamente agradável de se ouvir.

Porque, é claro, nos queixemos do que outras pessoas precisam fazer, evitamos o desconforto e o esforço de olhar para nós mesmos e fazer mudanças em nossas próprias vidas.

Nós reclamamos que as pessoas estão sempre no celular.

No entanto, todos nós estamos no celular constantemente.

Nós reclamamos que o processo político é corrupto, mas quantos de nós concorrem a cargos, votam regularmente ou até dedicam tempo para realmente compreender as questões políticas?

Nós reclamamos que nunca conversamos com nossos amigos, mas quantos de nós se esforçam para realmente encontra-los e ouvir o que está acontecendo em suas vidas?

Eu percebi que, há muito tempo, eu culpo as outras pessoas pelas minhas circunstâncias; e talvez as circunstâncias tenham um impacto em alguns aspectos.

Aquele trabalho que não deu certo, aqueles traumas que aconteceram no passado. Sim, eles são parte de quem eu sou.

Mas a verdade é que quando eu olho para o meu passado, quase todos os casos em que eu tive um conflito ou algo “ruim” feito a mim por outra pessoa, poderia ter sido evitado se eu tivesse assumido a responsabilidade por mim mesmo e não tivesse dado meu poder para outra pessoa.

Por exemplo, recentemente fiz dois mochilões internacionais.

Depois da primeira viagem, eu passei um tempo com parentes para ser restabelecida nos EUA, e essa estadia terminou com conflitos e sentimentos feridos porque os limites e as expectativas não estavam claramente definidas.

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E embora minha primeira reação tenha sido sentir pena de mim mesma e pensar sobre o quão “malvados” eles eram, a verdade é que eu deveria ter sido mais proativa em ter uma discussão para determinar um acordo mais claro.

Percebi que esperar que os outros cuidem de mim ou assumir a responsabilidade pela minha vida só pode terminar em desapontamento e falta de poder para mim.

Acredito que no passado, por eu estar vivendo de acordo com as expectativas dos outros e por ter medo de intimidade e de realmente mergulhar na vida, eu, subconscientemente, não estava assumindo total responsabilidade por mim mesma e em certo nível estava esperando que outras pessoas se importassem por mim e me apoiassem.

É assustador assumir total responsabilidade por nós mesmos e por nossas vidas.

De certa forma, é mais fácil não tentar, porque e se nós falharmos, ou se as pessoas não gostarem do “nós” real, aquele que mantemos escondido?

Porque, se eles não gostam de nós, pelo menos não é o verdadeiro “nós” que eles estão rejeitando, e podemos fingir que “realmente não nos importamos” de qualquer maneira.

Muitos de nós vivemos com nossos sonhos e “eu’s” escondidos e simplesmente flutuamos com o que a vida nos dá, e criticamos os outros ou o estado do mundo, em vez de trabalhar em nós mesmos ou tomar medidas para consertar as coisas que podemos mudar.

A melhor realização que tive recentemente, que me ajudou a evitar o desespero no meio de tantas notícias ruins sobre meio ambiente e política, é que posso restaurar meu próprio senso de poder pessoal e comprometer-me com coisas que posso mudar.

Isso pode significar prometer nunca mais usar um saco plástico na mercearia, levar uma caneca em vez de usar um copo descartável para bebidas, ou tentar usar mais gentileza e menos julgamento em relação aos outros em minha vida pessoal.

Eu posso enfrentar isso e tomar posse de mim e da minha vida.

Agora, não estou dizendo que não vale a pena lutar por causas em que se acredita ou se manifestar contra uma injustiça.

Mas é importante olhar para nós mesmos primeiro e examinar quais falhas podemos estar abrigando em nossos próprios corações.

Como a escritora de espiritualidade Marianne Williamson certa vez escreveu com humor: “Me diverte o quanto eu costumava ficar com raiva quando as pessoas não assinavam minhas petições de paz.”

A própria Williamson é um exemplo desse princípio.

Supõe-se que ela não encontrou muito sucesso em furiosamente gritar com as pessoas para assinar suas petições de paz.

No entanto, uma vez que ela decidiu olhar para dentro e mudar a si mesma, e examinar suas próprias falhas e fraquezas humanas, ela ganhou conhecimento espiritual que impactou milhões e os ajudou a encontrar a paz dentro de seus próprios corações.

Em última análise, podemos tentar nos comunicar e compartilhar com os outros, mas não podemos alterá-los.

Por outro lado, sempre temos a opção de olhar para dentro, reivindicar nosso poder e dar o passo de mudar a nós mesmos.

Podemos nos tornar o tipo de pessoa que continuamos desejando que os outros sejam e fazer as coisas que continuamos desejando que os outros façam.

E, embora possa ser assustador, também deve ser um pensamento encorajador.Porque a verdade é que o poder de mudança, seja para nós ou para o mundo, não está em qualquer lugar “lá fora” — sempre esteve dentro de nós.

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Este texto foi publicado originalmente no Tiny Buddha, por Shannon Brown. Adaptação feita por Awebic. Saiba mais sobre o trabalho de Brown aqui.