Médico pernambucano viaja pelo mundo operando mãos de crianças
Humanidade

Médico pernambucano viaja pelo mundo operando mãos de crianças

A manhã mal começa no Irã.

Rui Ferreira, 70 anos, médico cirurgião, se prepara para mais uma maratona de cirurgias. Serão 18 horas divididas em dois dias de trabalho corrido e intenso.

Junto dele, médicos de outros países, e uma jornalista, filha do ex-presidente francês François Miterrand.

Para o pernambucano de Sertânia, no entanto, não há nenhum glamour.

Há mais de dez anos Rui percorre o mundo em missões humanitárias para operar principalmente crianças com deformidades nas mãos.ruiferreira05

Rui atua em parceria com a ONG francesa La Chaine de L’Espoir, que quer dizer “Corrente da Esperança”.

Já foram 74 missões em 12 países, como Chile, Líbano, Camboja, Vietnã, entre outros. O que define qual será o país atendido é a necessidade de cada um para receber essas missões humanitárias.

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Entre os pacientes atendidos, estão refugiados de guerra, pessoas com deformação congênita – como na Colômbia, onde está o maior índice de crianças nascidas com deformidades nas mãos.

Segundo o médico, “É o país com maior quantidade de deformidade congênita das mãos no mundo, por causa do veneno usado para combater a plantação de coca”.

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No Egito, por exemplo, há muitos casos de crianças que são deformadas em partos malfeitos, principalmente quando o bebê é menina.

Pai de 4 mulheres (ele tem mais um filho), Rui ficou chocado: “O parto é feito de qualquer jeito quando eles descobrem que o filho é uma menina. A mulher não tem nenhuma importância para a cultura deles”.

Medicina por amor

A trajetória de Rui começou na década de 60, quando depois de tentar ser militar no ITA, em São Paulo, e de perder uma oportunidade para estudar Economia na Europa – perdeu o voo por causa de uma enchente – resolveu dar uma chance à medicina por causa de um amor.

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A mãe da moça por quem se apaixonou só permitia o namoro se o pretendente fosse estudante de medicina. Então, ele decidiu ser médico.

Já na faculdade, descobriu que tinha talento com as mãos – coisa que nem passou pela cabeça do jovem sertanejo, que tinha o sonho de comprar um cavalo para “correr vaquejada”. Aliás, é o que Rui faz até hoje nos raros momentos de descanso.

Em Pernambuco, ele mantém uma ONG em parceria com outro médico, a SOS Mão Criança. Na capital, Recife, ele atende centenas de crianças que precisem de cirurgias nos membros.

Algumas famílias viajam dias para tentar um atendimento com o pernambucano.

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A prioridade das cirurgias, como explica o médico, é devolver a independência para as crianças: comer, fazer a própria higiene.

Rui já atendeu famílias inteiras: Alex Sandro Holanda, morador do agreste pernambucano, nasceu com os dedos grudados, que é o que os médicos chamam de sindactilia.

Foi operado por Rui ainda criança e, quando seus filhos nasceram com o mesmo problema, recorreu ao cirurgião.

“É muito humano”, diz Alex sobre o médico. “Faz cirurgias de graça para quem é carente”.

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Em Pernambuco, a ONG conta com uma equipe de médico voluntários e dedicados, que passam fins de semana inteiros participando das cirurgias.

Aposentadoria? Nem pensar!

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Aos 70 anos, Rui Ferreira nem pensa em parar.

“Quando a gente faz alguma coisa, não se sente velho”, diz.

“Enquanto estiver lúcido, com vontade e prazer de fazer coisas que pouca gente faz, enquanto eu puder ensinar o que sei, continuo”. As missões em países distantes, não remuneradas, não são um obstáculo. “Preciso de pouco para viver”.

Do sertão pernambucano para o mundo, Rui leva consigo a vontade de viver e a capacidade de sobrevivência do sertanejo. “A gente sai do sertão, mas o sertão não sai da gente”.

Se preferir, veja o vídeo no YouTube.

Fonte: uol.com.br, razoesparaacreditar.com.

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