Ex-moradora de rua vira exemplo ao receber diploma na UFBA
Educação

Ex-moradora de rua abandonada pela mãe vira exemplo ao receber diploma na UFBA

Noite de formatura.

No salão nobre da Universidade Federal da Bahia, a UFBA, familiares e amigos dos formandos comemoram a conquista dos seus entes queridos. Apenas uma pessoa, porém, não tem a família completa para testemunhar sua vitória.

Mona Liza Nunes de Souza é a única formanda a ser aplaudida de pé por todos os presentes ao receber seu diploma do curso de História. A sua trajetória para ter em mãos o símbolo e a prova de sua conquista foi duríssima, até cruel.

Mas ela não se deixou abater, apesar de ter todos os motivos para isso.

A jovem de 28 anos, hoje casada e mãe e um menino, foi abandonada pela mãe ao nascer.

Até os 9 anos, viveu com uma avó que não a amava e cometia contra ela vários abusos. Alimentava-se dos restos de comida da avó, sofria com as surras constantes e perdeu várias vezes o ano letivo por não poder ir para a escola, porque era tratada como empregada doméstica.

mona liza diploma

Fonte: Correio 24 horas.

Quando a mãe voltou para pegá-la, acompanhada das irmãs, o que era o sonho do reencontro virou seu maior pesadelo. Levada do interior da Bahia para Salvador, dormiu nas ruas em cabanas de papelão e dependia do carro de sopa de uma instituição de caridade para poder ter o que comer.

Aos 14 anos, acendeu por engano um fogareiro de álcool e teve 30% de seu corpo queimados. A mãe mal foi visitá-la.

Mona Liza teve todos os seus direitos negados: o direito à infância, à educação de qualidade, ao amor de uma família, à segurança de um lar. Matriculava-se às escondidas em escolas públicas porque a mãe, completamente afundada no vício do crack, assim como suas irmãs, achava que estudo não servia de nada.

Quando conseguiu um emprego de ajudante de cozinha, aos 15 anos, fugiu da família para poder morar no emprego e completar os estudos. Foi ali, no colégio, que conheceu seu marido. Ele acabou largando a escola para virar sorveteiro, mas sempre incentivou a esposa.

“Ela é uma guerreira, passou por muita coisa para chegar até aqui. Tudo o que eu posso sentir nesse momento é orgulho”, diz.

Vivendo numa casa simples perto da Cidade Baixa, em Salvador, a pequena fábrica de sorvetes garantiu o sustento da pequena família e permitiu a Mona Liza fazer um cursinho comunitário para entrar na faculdade de História.

Mesmo ali, sofreu todos preconceitos por ser negra e pobre. E ainda assim, agarrou-se ao curso, que a fascinava. Pôde compreender porque as mazelas de nossa sociedade persistem, as injustiças, as consequências da escravidão que perduram até hoje. Um de seus professores, Marcelo Mascarenhas, foi um se seus grandes incentivadores.

mona liza ufba

Sobre ela, ele diz que o histórico de vida de sua aluna lhe deu um afiado senso crítico. 

“É incrível. Para Mona, história é algo vivo. Através da disciplina, ela parece entender melhor as engrenagens sociais que a levaram a condição de pobreza e exclusão”, conta.

Ainda na faculdade, tentou uma nova aproximação com as irmã e a mãe. Não deu certo: elas roubavam suas coisas para vender e manter vício no crack. A maior dor de Mona Liza é sentir que a mãe jamais a amou.

Há alguns anos, ela morreu em um abrigo para soropositivos.

A melhor solução foi manter o restante da família longe. Ainda tem notícias, e a situação das irmãs não mudou muito: continuam envolvidas em prostituição e no tráfico.

Nada para Mona Liza foi fácil. Todo o preconceito, a pobreza, os estágios que lhe ocupavam o dia, as despesas com xerox e livros para a faculdade eram obstáculos cansativos, quase insuportáveis. Contrariando todas as expectativas, porém, ela resistiu.

Agora, ela pode escrever um novo capítulo de sua trajetória.

E quem sabe, contribuir para que no futuro histórias como a dela aconteçam cada vez menos, onde crianças tenham direito ao amor de uma família, e o acesso à saúde e à educação de qualidade, onde o caminho para uma universidade seja natural e não uma história de superação.

Fonte: correio24horas.com.br.

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