Democracia

Quem tem medo do Viagra feminino?

Sexo é sempre um tabu. E quando se fala em desejo sexual feminino, a controvérsia é ainda maior.

Recentemente, vários veículos de imprensa divulgaram o surgimento de um medicamento que seria o equivalente ao Viagra para mulheres. Na verdade, a comunidade médica dos Estados unidos testa esse remédio há cinco anos e tenta sua liberação.

A polêmica foi bem grande, com argumentos a favor e contra o medicamento.

Há quem defenda que ele pode contribuir para a liberdade sexual da mulher, e alguns cientistas questionam seu funcionamento.

Mas o que seria esse “Viagra” feminino? Como ele funciona? Esse remédio é mesmo necessário para aumentar o desejo sexual das mulheres?

Vamos por partes.

Antes de mais nada, é preciso ter em mente que este medicamento é destinado a mulheres que querem ter relações sexuais e não conseguem; que já tentaram outros tratamentos e terapias sem sucesso.

Não é uma pressão para que a mulher sinta desejo. Tudo bem não querer fazer sexo. O problema é quando existe a vontade, mas o desejo não acompanha.

female-832266_1920

O site BuzzFeed publicou um longo artigo sobre o assunto e conta a história de Amanda Parrish, uma americana de 45 anos.

Quando partiu para seu segundo casamento, o desejo e a atração por seu marido eram intensos, e o sexo também. Porém, sem nenhuma causa aparente, ela começou a sentir uma indisposição sexual.

Não havia nada de errado com a relação dos dois: eles se comunicavam bem, se amavam, e ela se sentia muito atraída por ele. Por que, então, quando acontecia a relação, era como se fosse uma mera obrigação?

Amanda tentou vários tratamentos: testosterona, esteroides – que aumentaram sua disposição física, mas não para o sexo -, potencializadores de libido… e nada. Seu médico insistiu que era o estilo de vida agitado, cuidando de seis filhos, mas Amanda sentia que não era essa a causa de sua disfunção.

Finalmente, ela encontrou outro médico que a incluiu como cobaia de um novo medicamento, chamado flibanserina, testado como antidepressivo mas com um efeito colateral que chamou a atenção dos pesquisadores: o aumento da libido feminina.

Leia:  Menina confunde noiva com princesa de livro e sua reação é a melhor

De fato, depois de começar o tratamento experimental, Amanda relatou que seu desejo voltou a ser como era antes.

No entanto, oito meses depois, ela precisou devolver o remédio porque o FDA – o órgão americano responsável pela liberação dos medicamentos – reprovou o pedido.

Segundo o órgão, é difícil medir o desejo feminino. Como a droga age no cérebro, é complicado dizer o quanto a falta de desejo é um problema fisiológico e o quanto é psicológico.

Nos homens, essa percepção é bem óbvia: não há como negar a presença do desejo, porque ele se manifesta na forma de uma ereção. Com as mulheres, no entanto, é mais complexo.

O quanto, realmente, a flibanserina consegue aumentar o desejo sexual feminino?

couple-731890_1920

Em todos os testes feitos, os resultados foram promissores, mas não o suficiente para a aprovação do FDA. Isso por causa dos efeitos colaterais fortes e da taxa não tão alta de aprovação das pacientes.

O órgão americano foi acusado de sexismo em relação às mulhres, por dificultar o acesso a um medicamento para um problema que pode, sim, ser biológico. Quem é contra o remédio diz que as mulheres deveriam resolver os problemas que as impedem de sentir prazer.

Mas e quando tudo já foi tentado?

Muitas vezes as mulheres escondem seus problemas com desejo para manter uma relação, ou mesmo por vergonha. Seria justo privá-las de um tratamento para uma parte tão importante da vida como é a sexualidade?

Os argumentos de quem não concorda com o “Viagra” feminino lembram bastante as razões das pessoas que são contra antidepressivos: que as pessoas tem de resolver os problemas pessoais que causam a depressão. No entanto, sendo a depressão uma doença, por que impedir que os pacientes se tratem?

A discussão está longe de terminar. Sexualidade é uma área complexa, com vários fatores envolvidos, psicológicos e biológicos também. É preciso separar os preconceitos e o sexismo e garantir o acesso a um medicamento seguro e que melhore a qualidade de vida das mulheres.

Todos tem direito a uma vida sexual segura e saudável.

Fontes: buzzfeed.com e pixabay.com.