Noruega prova que tratar presos de forma humana realmente funciona
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Noruega prova que tratar presos de forma humana realmente funciona

Até 1982 Bastoy foi um famoso reformatório que hoje funciona como uma prisão aberta, em uma ilha da Noruega.

O conceito nasceu na Finlândia durante os anos 1930 e hoje, 30% das prisões norueguesas seguem este mesmo esquema.

Bastoy é considerada a “menina dos olhos” de todas elas.

Encantada pela ideologia diferenciada de Bastoy, a professora, diretora acadêmica e escritora Baz Dreisinger, visitou o local e publicou suas pesquisas no livro Incarceration Nations: A Journey to Justice in Prisons Around the World.

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Prisão ou férias?

“Você pode até pensar que estamos de férias aqui. Mas não: isso é uma prisão. Confie em mim. Nossas vidas pararam: estão congeladas.” – Wiggo, prisioneiro de Bastoy.

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Apesar da pista de ciclismo, dos cavalos, dos telhados avermelhados, das práticas de agricultura que dão vida ao local, da estufa e da churrasqueira onde os homens cozinham seu almoço, das ovelhas e vacas que passeiam sem nenhum arame farpado que as aprisione, Bastoy ainda é uma prisão.

A ilha é o lar de cerca de 115 homens supervisionados por mais de 70 membros da equipe, e há uma lista de espera de cerca de 30.

Mas o que impressiona do regime de prisão aberta é que os prisioneiros de Bastoy curiosamente apresentam melhoria em seu comportamento assim que vão para lá.

Foto: Marco di Lauro via Getty Images.

De acordo com o seu supervisor, a questão é muito simples:

“Trate as pessoas como lixo e elas serão sujas. Trate-as como seres humanos e elas vão agir como seres humanos”.

Consciência ambiental

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Antes de ser uma prisão, Bastoy é uma reserva natural onde cresce 25% de tudo o que é consumido pelas pessoas que ali vivem. A maioria dos veículos são elétricos e tudo é reciclado.

Além disso, a agricultura é uma grande parte da filosofia humana e ecológica de Bastoy. Até os animais têm uma função social ali, ensinando empatia aos prisioneiros. Segundo o supervisor Tom, “todo mundo trabalha a terra”.

Utopia norueguesa?

Foto: Marco di Lauro via Getty Images.

Para alcançar o status de “menina dos olhos” prisionais, Bastoy e outras prisões abertas da Noruega passaram por vários momentos de crise, inclusive patrocinados pela distorção da mídia americana, que insiste em manipular cidadãos noruegueses a acreditar que prisões precisam ser duras e punitivas o tempo todo.

Mas para uma sociedade que viveu do feudalismo durante séculos, a economia da Noruega sempre foi baseada em pequenas aldeias e democracias locais. Desde que a nobreza foi abolida, 200 anos atrás, nunca mais houve uma classe superior no país.

O clima de união entre os cidadãos noruegueses, enfim, contribui para uma nação fortificada e comunitária em todos os sentidos, inclusive nas prisões.

O modelo de importação norueguês, como é conhecido, mantém, assim, as pessoas na prisão ligadas ao seu município, o que faz com que as sentenças acabem sendo bem menores do que a média americana, por exemplo.

Quase ninguém serve todo o tempo que é sentenciado à prisão, e depois de completar um terço da pena, o prisioneiro pode candidatar-se a sair e “gastar” até metade da pena fora das instalações.

Criminalidade em baixa

Foto: Marco di Lauro via Getty Images.

O fator mais impressionante do sistema prisional da Noruega é o fato de que ele parece funcionar. Os índices de criminalidade são muito baixos e a taxa de reincidência é de apenas 20%.

O criminologista John Pratt resumiu a abordagem escandinava usando o termo “excepcionalismo penal”, referindo-se às baixas taxas de encarceramento e às condições das prisões humanas desses países.

“As prisões aqui são pequenas, com apenas 100 presos em média. Elas são espalhadas pelo país, o que mantém os prisioneiros perto de suas famílias e comunidades, e são projetadas para se parecer o máximo possível com a vida do lado de fora.” – diz Pratt.

Será que isso daria certo no mundo inteiro?

Se você achou esta matéria interessante, pode encontrar mais detalhes no livro da autora Baz Dreisinger, responsável pela visita à prisão norueguesa de Bastoy e pelas entrevistas que deram vida a este post: Incarceration Nations: A Journey to Justice in Prisons Around the World.

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Fonte: huffingtonpost.com.

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