Horta orgânica do interior de SP inspira moradores a terem uma vida plena
Ambiente

Eu que odiava salada fiquei apaixonada por essa horta orgânica do interior

Quando Ceci e Reinaldo resolveram abandonar a agricultura tradicional para dar lugar à produção orgânica, o casal foi chamado de louco.

Instaurou-se um caos na família que, desde a década de 1980 se mantinha confortavelmente por meio de uma produção de alimentos baseada no uso de insumos agrícolas.

No entanto, desde 2004, quando o casal fez o curso de Produção de Alimentos Orgânicos, ministrado por Marcelo Sambiase, o sonho de colocar em prática a agricultura orgânica só fez crescer no coração dos dois.

O que a agricultura orgânica representa para o mundo atual

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Horta Mandalla. Foto: arquivo pessoal.

Abrir mão do lucro proporcionado pela produção em grande escala dos alimentos não-orgânicos é um desafio de desapego, amor ao próximo e a si mesmo.

Foi inspirada nesse amor que Ceci decidiu procurar outros rumos na vida da sua família.

Na última sexta-feira (09/09/2016), ela me recebeu de braços abertos no espaço onde hoje floresce a Horta Mandalla: o fruto doce da sua história de lutas e desafios amargos.

Antes de percorrermos a horta em si, batemos um longo papo sobre diversos assuntos, dentre eles a importância da produção orgânica no mundo atualmente.

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Ceci me contando a história da Horta Mandalla. Foto feita pela Mayana, filha de oito anos da Ceci.

Em uma era de consumo e desperdício desenfreado de alimentos, a preocupação com a saúde da população que vem sendo cada vez mais acometida por doenças estomacais, intestinais, cardíacas e cânceres diversos – muitas vezes diretamente ligados a uma alimentação precária – tem se mostrado cada vez mais presente na Medicina, no Esporte e na Educação.

São inúmeros os setores da sociedade que nos alertam para a nossa nutrição.

Apesar de mantermos uma dieta de quantidade, quando analisamos a origem de tudo o que comemos, levamos um baita susto (imagine o nosso organismo quando recebe os alimentos que nós escolhemos ingerir).

E quase sempre nos justificamos com a clássica desculpa: “Não tenho tempo para me alimentar bem“.

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Abrindo o apetite antes do almoço, Ceci colheu duas cenouras, limpou-as com uma folha de couve e as comemos deliciosamente!

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Maior que a minha mão! :-O

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Hmmmmmm… Ainda posso sentir o gostinho adocicado e terroso dela!

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De acordo com Ceci, os agrotóxicos intoxicam os alimentos e reduzem a capacidade de absorvermos seus nutrientes.

Como resultado dessa mistura contemporânea de fast food e short time (comida rápida e tempo curto), vivemos uma fast-short-life: uma vida rápida, curta e, desastrosamente dolorosa.

Passamos boa parte do nosso tempo trabalhando para conseguir o dinheiro que vai nos manter tomando vários remédios quando nos aposentarmos.

A reflexão proposta pela Ceci é:

Por quê?

Você pode ter respondido “Simples, porque é assim que tem que ser. Não existe escolha”.

Este é um pensamento comum que também já fez parte do meu repertório de vitimismo social.

Esse é o modelo de pensar que mantém seres humanos se alimentando precariamente nas grandes cidades enquanto outros 925 milhões de humanos passam fome longe da nossa bolha do American Way of Life.

Esse é o pensar que sustenta, consequentemente, doentes em filas de postos de saúde que sequer têm consciência para observar que a maioria das suas doenças podem ser curadas quando reconhecemos o que o nosso próprio corpo precisa.

Esse é o sistema que permite continuar imperando a sofisticada indústria farmacêutica.

Sim, nós temos escolha.

Podemos não conseguir fazer a roda do sistema parar de girar, mas podemos, sim, escolher viver mais e melhor; e a Horta Mandalla é uma das (minhas) luzes no fim do túnel.

A Horta Mandalla

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Miguel pousando para a foto no quarto círculo da Horta Mandalla.

Mandala significa círculo mágico, concentração de energia, e é considerada, universalmente, como o símbolo da integração e da harmonia (Fonte: significados.com.br).

Inspirados nesse conceito, os dois criaram a horta em torno de um círculo côncavo de barro rodeado por outros nove círculos de produtos orgânicos, sendo que cada um deles representa um dos planetas do sistema solar.

Mas, antes de se tornar essa centro de energias positivas, Ceci e Reinaldo ficaram cerca de oito anos distante do pedaço de terra onde hoje vive a Horta Mandalla. Ela nasceu em um terreno arrendado em Ipiguá, no interior de São Paulo, e após algumas confusões com o dono do terreno, finalmente voltou para a chácara da família da Ceci.

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Na ordem: Ceci, eu e Miguel.

Apesar de terem começado a conversão da produção convencional para a orgânica em 2004, foi só em 2010 que o casal recomeçou o plantio, voltou a colocar a mão na terra e levou as duas filhas, Giovana e Mayana e o neto Miguel, para morarem todos juntos na caçamba de um caminhão.

Isso mesmo!

A família passou por muitas situações difíceis até chegarem ao processo de desapego total, em que abriram mão da casa confortável em que viviam em São José do Rio Preto (próximo a Ipiguá) para se jogarem de cabeça na horta orgânica.

Assim que a horta voltou para suas origens, em 2013, Ceci começou o processo de divulgação de seus produtos e da sua filosofia de vida por meio das redes sociais, com a ajuda de Marcelo Sambiase, que, nas palavras dela mesma, foi o anjo que os guiou em cada um dos passos para que a horta se tornasse o sucesso que é hoje.

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Ceci me mostrando quantas sementes uma simples mostarda é capaz de nos oferecer. “E ainda tem gente passando fome no mundo, dá pra acreditar?”, diz ela.

Trabalhando com todo o seu amor, fazendo inúmeros cursos de olericultura (cultivo de orgânicos), de animais peçonhentos, pragas, solo, mudas etc, Ceci e Reinaldo foram criando uma atmosfera que atraiu os olhos da Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), da Hidroex/Unesco e dos estudantes da Unesp de Rio Preto, que se tornaram os primeiros fregueses da Mandalla.

Hoje, a horta orgânica atende mais de sessenta famílias da região de Rio Preto semanalmente (incluindo a minha!) e recebe vários grupos de pessoas interessadas em conhecer mais sobre a agricultura orgânica, fazer cursos e tomar um café fresquinho debaixo da árvore, com os pés no chão e lambidas dos amigos Billy e Bethoven.

“As respostas estão nas raízes”

Se preferir, veja o vídeo no YouTube.

Passar a manhã na Horta Mandalla, receber semanalmente seus produtos – que, hoje, me inspiram a comer legumes, verduras e frutas todos os dias -, ser agraciada pela companhia das crianças, dos cachorros, das abelhas e das borboletas, além de ganhar um almoço com cheirinho de fazenda, é ter a certeza de que realmente nós temos escolha, sim!

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Mayana e Miguel escolhendo o abraço.

A atitude de Ceci e Reinaldo de converterem a horta encanta a todos e nos faz refletir sobre o que estamos fazendo da nossa vida, do nosso tempo e com o nosso corpo.

Essa visita também me fez perceber o quanto a natureza é abundante e como é cruel saber que tantas pessoas passam fome simplesmente porque existe uma indústria de remédios interessada em manter o sistema do capital girando frenética e desumanamente.

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Suco verde e refrescante preparado pela filha mais velha da Ceci, a Giovana.

Por outro lado, é muito bom sentir a força que mora nas atitudes positivas e como elas ecoam ao nosso redor, contagiando rapidamente os que estão abertos às mudanças do bem.

Como disse a iluminada Ceci, basta trabalharmos sem pressa, sem olhar apenas para o lucro e permitirmos ser guiados pelo amor, que as coisas vão se encaixando harmoniosamente em nossa vida.

“Quando trabalhamos no tempo da natureza, tendo ela como nossa aliada, tudo flui”, completa ela.

Veja mais fotos da visita à Horta Mandalla:

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Billy, o cachorro mais mineirinho e amoroso do mundo!

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Bethoven, o cão quase “infotografável”.

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Ferramentas de ‘trabalho’ do pequeno Miguel.

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Amada Ceci.

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Partiu rolê?

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Miguel ainda envergonhado com a minha presença, no início da manhã.

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Calendário Biodinâmico em que Ceci e Reinaldo se baseiam para o plantio.

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Cada uma das figuras representa uma tendência do solo. A folha, por exemplo, indica que é o dia certo para plantar herbáceas.

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Coleção de pedras da Maya. Ganhei uma de presente dela, acredita?

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Maya e seu inseparável tablet, clicando tudo o que via pela frente.

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Flores comestíveis da horta. Elas foram para a salada do almoço!

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As flores ornamentais também fazem parte do ciclo. Elas chamam a atenção dos insetos para si e protegem a plantação de pragas.

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O centro da Mandalla e as marcas de mãos das pessoas que ajudaram a construi-lo.

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Pasmem, é desta planta que fazem o famoso Tylenol.

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E daqui sai o Melhoral.

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Hortelã.

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Feijões.

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Casinha da Maya, entre uma plantação e outra.

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Incubadora de mudas.

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Obrigada, Ceci!

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Semeie boas intenções, inspire outras pessoas a movimentarem a mandala da vida. E lembre-se do conselho de ouro da nossa querida Ceci: “As respostas estão nas raízes.”

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