Cultura

Nada de roupas, brinquedos e eletrônicos: casal passa um ano sem fazer compras e os filhos nem notam

Muitas vezes, bens materiais significam estar de bem com a vida ou mesmo são o motivo da busca da felicidade para muitas pessoas: ter e comprar coisas que em outros tempos não se tinha ou que sempre se quis ter.

Mas quando são o único objetivo, podem atrapalhar a qualidade de vida.

O casal Scotty e Gabby Dannemiller do Tennesse, EUA, percebeu que suas vidas estavam sendo absorvidas pelo trabalho corporativo e pela agitação do dia a dia. Eles e os filhos se tornaram focados demais no que possuíam e podiam comprar.

E nisso, as experiências que poderiam ter em família ficaram de lado. Então a decisão foi radical: durante um ano, sua lista de compras seria zero. Nada de roupas novas, eletrônicos ou brinquedos.

Parece absurdo? O resultado foi incrível!

Mais não é o melhor

A ideia veio em 2013, quando os Dannemillers sentiram que estavam se desviando do caminho da simplicidade, fé e serviço que tinham definido no início de seu casamento: objetivos que na época os levaram a desistir dos empregos e ir para uma longa missão na Guatemala em 2003.

Eles perceberam que todas as coisas que compraram, resultaram em uma grande sensação de mal-estar. “De repente nos vimos pegos pelo ‘mais é melhor‘”, disse Scott, explicando que ao voltarem da missão, sentiram que precisavam dar mais propósito às suas vidas.

Voltando aos valores

Depois de conversarem, concordaram que não comprar nada por um ano faria diferença na qualidade de vida e ainda os ajudaria a resgatar os valores de uma vida simples que prezavam tanto. E no dia 1° de janeiro de 2013, começaram:

Para Gabby:

Nós estávamos tão presos em comprar coisas que precisamos dar uma pausa e perguntar o que isso estava adicionando a minha vida, e dar uma importância renovada às experiências

Audrey e Jake, os filhos do casal, de 5 e 7 anos na época, não souberam da decisão, que foi mantida em segredo. E na verdade, nem notaram que algo realmente havia mudado na rotina em família.

Férias do Consumismo

As regras foram simples e diretas:

1. Todas as compras teriam que durar durante todo ano, como mantimentos, gás, produtos de higiene e nenhuma roupa.

2. As coisas deviam ser consertadas, a menos que o custo de reparação fosse maior que o custo de reposição.

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3. Os presentes deviam ser em forma de doação de caridade ou um presente que trouxesse alguma experiência, com a ideia de construir conexões e memórias, fazendo coisas como sair para jantar, ir ao zoológico ou viajar para visitar amigos e familiares.

No aniversário das crianças os presentes foram experiências, como ingressos doados de amigos da igreja para um jogo de hockey para Jake e uma noite em um hotel para Audrey (pagos com pontos que Scott ganhou em programas de fidelidade).

E o mesmo valia ao dar presentes, a família teria que se virar com o que tinham em casa e fazer à mão. Em uma ocasião, a maleta de couro de Scott quebrou e ele simplesmente pegou uma mala de rodinhas cor lavanda do sótão para ir a uma conferência.

Os Dannemillers passaram por várias situações divertidas e até alguns embaraços, mas os resultados foram além do esperado.

Mais tempo em família

Gabby Dannemiller disse que eles optaram por pagar uma visita ao zoológico ao invés de comprar um brinquedo novo, porque as experiências seriam muito mais duradouras.

A família também fez mais trabalhos voluntários, o que os aproximou mais e garantiu mais tempo juntos, conversas e melhores experiências compartilhadas.

“Nós queríamos voltar para o que é importante – conectar e compartilhar experiências com as pessoas. Percebemos que as coisam ficam no caminho, pelo menos para nós”.

Valeu a pena cada segundo

Foi desafiador para a família, mas sem arrependimentos.

“Não é que as coisas que compramos sejam ruins. O que faz serem ruins é o valor que damos a elas. Nós as tornamos mais importantes e conscientes”, disse o pai.

Depois dessa experiência, eles passaram a olhar de forma diferente para as compras, apenas aquelas que tornam a vida mais fácil e menos estressante valem a pena. Agora eles examinam o “por quê”, compram com mais propósito.

E as crianças?

Quando os pais perguntaram se perceberam algo de diferente no ano de 2013, elas disseram que notaram ter passado mais tempo visitando amigos e familiares.

Como toda experiência radical, o casal teve alguns críticos que não concordaram com a sua decisão, mas eles se mantiveram firmes e dois anos depois dessa mudança de hábito, ainda colhem benefícios de terem diminuído o consumo.

Scott Dannemiller, inclusive, escreveu um livro sobre a experiência da família.

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Fonte: dailymail.co.uk, tennessean.com, qga.com.br, today.com.