Ciência e Tecnologia

Neurociência prova que o seu ‘eu’ pode mudar a qualquer momento

Desde o seu surgimento, em meados de 1800, os estudos da mente e do cérebro vêm caminhando lentamente em busca de uma luz para um entendimento melhor do ser humano.

Com o passar do tempo, a medicina tradicional conseguiu avanços significativos nas análises e pesquisas sobre órgãos como coração, pulmões, fígado e rins.

Entretanto, o cérebro passou quase dois séculos sendo um completo mistério para a psiquiatria (que hoje se divide – popularmente – em psiquiatria clínica e neurociência*).

Felizmente, o avanço das ferramentas capazes de uma melhor visualização do nosso cérebro ajudou muito.

Está ficando cada vez mais claro a maneira que o meio ambiente, a família, os traumas e as crenças afetam o nosso comportamento e as nossas convicções.

Uma dessas convicções é a de que o nosso ‘eu’, aquela identidade com a qual nos identificamos e à qual remetemos a frase “desde que me entendo por gente…“, é único, imutável, inflexível, indissociável.

A neurociência, por sua vez, começa a mostrar, por meio de provas palpáveis, que essa convicção é uma grande bobagem.

É isso o que defende o pesquisador Evan Thompson, da Universidade de British Columbia, no Canadá.

Cientista influenciado pela crença budista, Thompson resolveu associar a subjetividade da mente a provas científicas.

Para isso, ele partiu do conceito de “anatta” – mais conhecido como “não eu“.

Esse termo traduz a ideia budista de que acreditar que somos a mesma pessoa de um ano para outro (ou até mesmo de um dia para outro) não passa de uma ilusão.

“O cérebro e o corpo estão constantemente em fluxo. Não há nada que corresponda ao sentido de que há um eu imutável”, afirma Thompson.

Isso significa que se você treinar sua mente, é possível, sim, mudar seu cérebro (fato que os monges budistas já sabiam há tempos).

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No entanto, ainda há divergências entre a neurociência e a filosofia budista.

Enquanto a última acredita que existe uma forma de consciência independente do corpo físico, a ciência ainda se atém a dependência da mente ao cérebro.

“Na neurociência, muitas vezes você se depara com pessoas que dizem que o eu é uma ilusão criada pelo cérebro. Minha opinião é que o cérebro e o corpo trabalham em conjunto no contexto de nosso ambiente físico para criar um senso do eu. E é equivocado dizer que só porque é uma construção, é uma ilusão”, conclui o pesquisador.

Além de incluir fenomenologia (estudo dos fenômenos), filosofia budista e ciência cognitiva, a pesquisa de Thompson inclui experimentos de meditação e yoga, sonhos lúcidos e perspectivas biológicas e ecológicas.

É, de fato, um trabalho que levanta questões extremamente intensas, curiosas e até mesmo contraditórias, o que o torna ainda mais rico.

Como diz o próprio autor da pesquisa: “é um trabalho para várias gerações“.

Confira os detalhes da entrevista com o Thompson

Infelizmente, a entrevista é em inglês e não possui legendas em português.

De qualquer forma, mudar faz bem

Lembre-se, você não precisa ser a mesma pessoa para sempre. ;)

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* Para entender melhor como essa ‘divisão’ acontece e descobrir um pouco sobre como a compreensão da psiquiatria e os avanços da neurociência são importantes, sugiro a leitura do livro Psiquiatria. Uma História Não Contada.

Fonte: razoesparaacreditar.com