Tecnologia ajuda tetraplégico a movimentar os braços por meio do pensamento
Ciência e Tecnologia

Tecnologia ajuda tetraplégico a movimentar os braços por meio do pensamento

Ter sua vida completamente modificada por um acidente infelizmente não é algo raro atualmente.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas no mundo possuem algum tipo de deficiência que, em meio à nossa sociedade muitas vezes despreparada, tornam um pouco mais difíceis o seu dia a dia.

Mas, como é de se esperar, sempre há um grupo de cientistas trabalhando em prol de inovações, projetos e iniciativas que contribuam para a melhoria de vida das pessoas.

Quando o ex-ciclista Bill Kochevar, de 53 anos, foi surpreendido pela brusca freada de um caminhão que o fez colidir sua moto e cabeça em sua traseira, ele acabou perdendo todos os movimentos do seu corpo abaixo dos ombros.

“As pessoas têm que fazer tudo por mim. A cada duas horas alguém checa se eu preciso de água.”

No entanto, anos mais tarde, Bill foi convidado por um grupo de pesquisadores para ser ‘cobaia’ de um novo experimento: as neuropróteses.

A esperança era a de que ele pudesse retomar os movimentos dos braços, reconquistando parte da independência perdida após o acidente.

Para tanto, ele está sendo submetido a um longo e delicado processo chamado neuroprostética.

Esse procedimento conquiste, basicamente, na restauração dos neurotransmissores por meio de implantes de próteses neurais no cérebro, conectados aos membros.

“É muito legal. Eu sou o primeiro no mundo a fazer isso!”, conta Bill, entusiasmado.

Os pesquisadores revelam seus primeiros resultados, depois de muitos experimentos:

“Nós fomos capazes de pegar os sinais elétricos que representam seus pensamentos e controlar os estímulos que movimentam seus braços por meio do seu cérebro”, explica A. Bolu Ajiboye, professor assistente de Engenharia Biomédica.

Pioneirismo

A tecnologia experimental, iniciada pela Case Western Reserve University, é a primeira do mundo a restaurar o controle do cérebro em uma pessoa com paralisia total.

Por enquanto, o processo é relativamente lento, mas os cientistas esperam poder racionalizar a tecnologia até que se torne um tratamento de rotina para pessoas com paralisia.

No futuro, eles dizem, os equipamentos não terão fios e os sensores elétricos serão todos implantados sob a pele, de maneira a ficarem invisíveis.

“Nossa pesquisa está em uma fase inicial, mas acreditamos que esta neuroprótese pode oferecer aos indivíduos com paralisia a possibilidade de recuperar as funções dos braços e mãos para realizar atividades do dia a dia, oferecendo-lhes uma maior independência”, explica o Dr. Bolu Ajiboye, autor principal de um documento detalhado sobre a pesquisa, publicado na revista médica Lancet.

Mas como isso é possível?

Para obter os primeiros resultados positivos, o ex-ciclista foi submetido a uma cirurgia no cérebro para implantar sensores na área do córtex motor responsável pelo movimento da mão, ligado a um computador.

Foram necessários quatro meses treinando o pensamento para a virada do punho e aperto dos dedos para que o computador pudesse reconhecer os sinais necessários do córtex motor e enviá-los a um braço virtual.

Em seguida, foram implantados 36 eletrodos de estimulação muscular no seu braço e antebraço.

Isso inclui também os quatro eletrodos que ajudaram a restaurar movimentos dos dedos e do polegar, além dos pulsos, cotovelos e ombros, que foram ligados apenas 17 dias após o início do procedimento a fim de estimular os músculos durante oito horas por semana por 18 semanas, fortalecendo os músculos e reduzindo a fadiga muscular.

Depois, todo o sistema foi conectado, de modo que os sinais do cérebro fossem traduzidos através de um decodificador de impulsos elétricos para desencadear o movimento nos músculos e nervos em seu braço.

“Eu senti um ‘UAU- eu posso fazer isso agora!’. No futuro, serei capaz de tomar um drinque ou me alimentar sozinho.”

O que temos para o futuro?

A limitação agora ainda é o número de músculos que podem ser estimulados, o que compromete a velocidade e precisão dos movimentos dos pacientes.

Mas como o próprio professor Ajiboye explica, a última coisa com a qual eles se preocupam é a velocidade, o objetivo é reconquistar o movimento.

Não há nenhuma intenção de curar a paralisia por meio desta tecnologia: ela ‘apenas’ contorna a lesão.

“O objetivo é futurista: um indivíduo tetraplégico pensa em mover seu braço como se seu cérebro e músculos não estivessem desconectados, e a tecnologia implantada executa perfeitamente o movimento desejado…”, completa o Dr. Steve Perlmutter, da Universidade de Washington.

No entanto, o tratamento ainda não está pronto para uso fora do laboratório.

Ainda é preciso paciência e muita pesquisa para aperfeiçoar os recursos tecnológicos e, finalmente, transformá-los em uma opção possível para todos.

No vídeo abaixo, podemos ver a emoção de Bill ao recuperar seus movimentos:

“Isso é incrível, porque eu apenas penso em movimentar o meu braço e ele se mexe.”

A tecnologia e a ciência não param de nos surpreender

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Fontes: theguardian.com, telegraph.co.uk

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